sexta-feira, 31 de julho de 2009

Até logo ...

Até logo ou até sempre ... sei que não gostam de despedidas e eu também não ... por isso quero ficar com a recordação dos vossos sorrisos na minha memória!
Adorei trabalhar, sorrir, chorar, partilhar convosco cada dia ... por isso isto não é um Adeus mas um Até logo, estarão sempre no meu coração!

sábado, 16 de maio de 2009

Ficha de Revisões


1.

Elabora uma síntese acerca da resposta aristótelica à questão "O que legitima a autoridade do Estado?"

2.

a)Estabelece a distinção entre estado natural e social.

b) Na tua óptica quais são as vantagens e desvantagens do contrato social.

3.

a) Define Estética.

b) Qual a diferença entre juízo estético e de gosto.

c) Apresenta a teoria de Kant acerca do juízo estético.

d) No que consiste a experiência estética?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Teoria da equidade de Rawls


“Como é possível uma sociedade justa?”Rawls propõe-se indagar sobre os direitos e desenvolver uma teoria sistemática e global da justiça.Começa por defender o primado da justiça, uma concepção pública e aceitável de justiça constitui a regra fundamental de qualquer sociedade humana bem ordenada.O que é uma sociedade justa?Como é possível uma sociedade justa?O objectivo de Rawls é apresentar-nos uma concepção de justiça, partindo da ideia de contrato social. Os princípios de justiça formam a base desse acordo e emergem daquilo que se designa por posição original.A posição original deve ser concebida como uma situação imaginária, a partir da qual são definidos os princípios da justiça. Nesta situação é-nos pedido que, sob um véu de ignorância ( como se desconhecêssemos o nossso lugar na sociedade) aprovemos os princípios para avaliar as relações entre os homens e as instituições.A sociedade é um conjunto de pessoas que admitem um grupo de regras que oriente as suas relações. As pessoas consideram necessária a admissão de alguns princípios de justiça (universais). Sendo universal, a justiça terá que possuir um carácter contratual e social.Preocupações de Rawls:Estrutura básica da sociedade e para o modo como devem distribuir-se os direitos e os deveres.Bem- estar colectivo – aposta na descoberta de princípios que governem a vida social e política.Defende que toda a organização social se deve apoiar numa teoria de justiça, pelo que a repartição de deveres e direito (Imparcialidade).


Concepção de equidade:
Igualdade - Conjunto de liberdades fundamentais (liberdade política; expressão; consciência; etc.)
Diferença – Protecção civil e à distribuição de benefícios (riqueza, emprego, responsabilidade, posições sociais).

domingo, 22 de março de 2009

As relações entre Ética, Direito e Política

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt


"Na sua discussão com Sócrates (Górgias platónico), Cálicles afirma que a primeira "lei" da Natureza diz que os mais fortes e inteligentes têm o direito a dominar os outros homens e a possuir as maiores riquezas, motivo pelo qual considera "anti- naturais" e por isso "injustas", as leis democráticas que estabelecem a igualdade de direitos na polis , as quais protegem os fracos e difundem uma moral semelhante à de Sócrates, segunda a qual é preferível sofrer uma injustiça a provocá-la. Hoje em dia não faltam cientistas sociais ou políticos que dão razão mais ou menos explicitamente a Cálicles, em nome da teoria da evolução das espécies de Charles Darwin , se a Natureza vai seleccionando os indivíduos mais aptos de cada espécie ( e as espécies mais aptas entre as que competem por um mesmo território) através da "luta pela vida" que elimina os mais frágeis ou os que se adaptam pior às circunstâncias ambientais, não deveria a sociedade humana fazer o mesmo e deixar que cada um mostrasse o que vale, sem levantar os caídos e subsidiar os aleijados? Assim a sociedade, funcionaria de modo mais "natural" e favorecer-se-ia a multiplicação da raça impiedosa mas eficaz de trituradores...No entanto, estes Cálicles modernos não leram com atenção suficiente Charles Darwin. (...) Segundo ele, foi a própria selecção natural que favoreceu o desenvolvimento dos instintos sociais- em especial a "simpatia" ou a "compaixão" entre semelhantes - nos quais se baseia a civilização humana, este facto é êxito vital da nossa espécie. Para Darwin, é a própria evolução natural que leva à selecção de uma convivência que aparentemente contradiz a função da "luta pela vida" noutras espécies, mas no entanto apresenta vantagens já não de ordem meramente biológica mas social. Ao contrário do que supõem Cálicles e os seus discípulos, o que nos torna "naturalmente" mais fortes como conjunto humano é a tendência instintiva para proteger os indivíduos frágeis ou circunstancialmente desfavorecidos face aos biologicamente fortes. A sociedade e as suas leis "artificiais" são o verdadeiro resultado "natural" da evolução da nossa espécie! De modo que o "antinatural" para nós será voltar a cair na "luta pela vida" pura e crua, na qual prevalece a simples força biológica ou os seus equivalentes modernos: por exemplo, a habilidade de uns quantos para acumular nas suas mãos os recursos económicos e políticos que deveriam ser distribuídos de forma socialmente mais equilibrada."
Fernando Savater, As Perguntas da Vida, Publicações D. Quixote, pp. 175- 177.


Sugestões de análise do texto:

- Qual o tema central abordado no texto de Fernando Savater?

- Qual a tese defendida pelo autor?

- Quais os principais argumentos utilizados pelo autor no sentido de defende a sua perspectiva?

- Esclarecer a importância que desempenha a dimensão ético - política para a existência humana.



1 Filósofo grego do século V ª C, mestre de Platão e personagem principal dos seus inúmeros diálogos. A sua filosofia reflecte sobre o Homem, enquanto ser social e político e enquanto sujeito de conhecimento e de moralidade. Para Sócrates O Homem é um ser dotado de capacidade racional que o torna capaz de conhecer a verdade e de orientar as suas acções por princípios universais racionalmente definidos. Assim, para Sócrates, é o pensamento (razão) que deve orientar a vida, daí a importância da Filosofia. 2 É um dos Diálogos de Platão, de que Sócrates e Cálicles são personagens. Neste diálogo discutem-se os diferentes modos de pensar e de realizar a organização política das sociedades e as leis que devem orientar a vida social. Estas concepções implicam uma tomada de posição sobre o que é O Homem e qual da finalidade da vida. 3 Cidade Estado da Grécia antiga.4 Charles Darwin, naturalista e biólogo inglês (1809- 1882) autor da teoria da evolução das espécies. Ou evolucionismo.


(Retirado do site Netprof)

terça-feira, 17 de março de 2009

O problema da eutanásia

Imagem retirada da net


Será a eutanásia eticamente permissível? Quando se discute este problema é preciso distinguir diversos tipos de eutanásia. A distinção entre autanásia activa e passiva, é uma delas. Imaginemos, por ex., um médico confrontado com um doente terminal em grande sofrimento. Se o médico lhe injectar uma substância letal para pôr fim ao seu sofrimento, estará a praticar eutanásia activa. Mas praticará eutanásia passiva se a morte do doente resultar da sua opção de suspender certos tratamento. No 1º caso, o médico mata o doente; no segundo, limita-se a deixá-lo morrer. Será esta diferença moralmente relevante?

O utilitarista pensa que não. Ele acredita que, como só interessam as consequências das nossas opções, não há diferença importante entre actos e omissões, isto é, entre aquilo que fazemos acontecer e aquilo que deixamos acontecer. Por isso, pensa ele, não faz sentido condenar absolutamente a eutanásia activa, afinal tanto uma como a outra têm essencialmente as mesmas consequências. Não há qualquer razão para levar em conta o simples facto de a primeira resultar de um acto e a segunda de uma omissão.

Já um deontologista pode condenar a eutanásia activa mas aceitar a eutanásia passiva. Para ele a diferença entre actos e omissões é muito importante, pois temos deveres que proíbem a realização de certos actos. Temos o dever de não assassinar e o médico que realiza o acto de matar praticando a eutanásia ctiva está claramente a infringir esse dever, mas o mesmo não sucede com o médico que opta pela eutanásia passiva, deixando morrer o seu doente. Muitos deontologistas condenam os dois tipos de eutanásia, mas mesmo assim consideram a activa mais grave do que a passiva. Os utilitaristas, pelo contrário, tendem a aprovar a eutanásia, pois vêem-na como uman maneira de pôr fim ao sofrimnto. Defendem até que a eutanásia activca é mais humanitária do que a passiva, pois esta evita que o sofrimento do doente se prolongue desnecessariamente.

Por outro lado, imagenemos um médico perante um doente terminal em grande sofrimento, mas suponhamos agora que este opta por lhe administrar quantidades cada vezx maiores de uma substância analgésica, sabendo que na esmagadora maioria dos casos ela acba por provocar a morte. Para um deontologista que se opõe à eutanásia, é fundamental determinar a intenção do médico. Está o médico a tentar matar a dor do doente? Ou está a tentar matar o doente? O que pretende ele? Supondo que o paciente acaba por morrer devido à substância analgésica, o modo como o deontologista avaliará a conduta do médico depende da resposta a esta questão. Caso o médico tenha pretendido matar o paciente, o seu acto foi profundamente errado: foi um acto de assassinar uma pessoa inocente. Mas caso a intenção do médico tenha sido aliviar a dor do paciente, então um exame cuidado dos factos pode revelar que procedeu bem.

Para o utilitarista, pelo contrário, não é importante saber qual foi ao certo a intenção do médico. Numa situação do tipo estamos a considerar não há qualquer diferença moralmente significativa entre os dois actos, pois t~em as mesmas consequências.

(Texto adaptado do livro A Arte de Pensar, Filosofia 10º ano)

As características da noção de pessoa

Imagem retirada da net


"O termo "pessoa" designa o ser humano enquanto sujeito moral. E ser um sujeito moral significa possuir consciência moral, isto é, ser capaz de discriminar claramente entre o que é o bem e o que é omal, o queé justo e o que é injusto, o que deve e o que não deve fazer.

E. mounier desenvolve a sua concepção de pessoa a que atribui os seguintes traços caracterizadores:

1º Singularidade - As pessoas têm uma realidade interior que as faz ser aquilo que são. Para além do aspecto físico e dos comportamentos que executam e em que manifestam influências da exterioridade social, cada ser humano tem uma identidade, istoé, um núcleo substantivo particular e permanenete que constitui propriamente o seu eu. É esta singularidade ou identidade que distingue cada pessoa de todas as demais.

2º Dignidade - A pessoa é um valor incomensurável. Ela ocupa o lugar cimeiro no conjunto dos seres do universo, não se submetendo em dignidade a nenhum deles. Diferentemente dos outros seres, que apresentam graus relativos de valor, a pessoa é a mais elevada forma de existência e tem valor absoluto.

3º Liberdade - Ser homem é ser livre. Ainda que condicionada, a liberdade é um elemento constitutivo da pessoa. Os condicionalismos não podem ser vistos como limites, antes como um espaço em que o ser humano se situa para exercer a sua autonomia.

4º Abertura - A singualaridade da pessoa não invalida o seu constante dia´logo com os outros. A pessoa é um ser aberto, tendo a possibilidade de sair de si em direcção ao outro, de adoptar as suas perspectivas e comungar os seus pontos de vista. Os outros não são um entrave relativamente ao eu, mas uma posssibilidade de crescimento.

5º Proximidade - A pessoa estabelece com os outros indivíduos um vínculo de proximidade, sentindo-se solidária e manifestando-lhe simpatia e amizade. Sendo solidária, a pessoa irmana-se, dá-se aos outros.

6º Compromisso - A identidade da pessoa forma-se pelas convicções que tem, pelos deveres que assume e pelas promessas partilhadas e em que investe a sua liberdade.

7º Crítica - A pessoa dispõe de uma dimensão crítica com que avalia os mais diversos aspectos da vida, procurando transformá-la de acordo com aquilo em que acredita." In Um outro olhar sobre o mundo, Manual de Filosofia  10º ano.

domingo, 8 de março de 2009

T.P.C - O dilema moral do João e do Paulo


1º "O João, um cientista em viagem pela América do Sul, chega a uma pequena aldeia em que está prestes a ocorrer uma execução pública. O Pedro, um militar, reuniu vinte índios e prepara-se para ordenar a sua execução. Explica a João que esses vinte índios não são criminosos: são pessoas inocentes escolhidas ao acaso entre os habitantes da aldeia. O Pedro pretende executá-las para aterrorizar a população da aldeia, que tem protestado contra o Governo. O João mostra-se desconfortável perante uma tal injustiça. Ao aperceber-se do seu desconforto, o Pedro faz-lhe uma proposta: se o João estiver disposto a matar com as suas próprias mãos um dos índios, ele deixará os outros dezanove partir em liberdade. É claro que, se o João recusar esta proposta, tudo decorrerá como estava previsto e os vinte índios serão executados.” ALMEIDA, AIRES DE, E OUTROS, A Arte de pensar, Volume 1 Filosofia 10º ano, Lisboa, Didáctica Editora, 2005, página 131.
Deverá o João aceitar a proposta de Pedro?

2º “O Paulo é um cirurgião que está prestes a operar a Maria, que tem uma doença muito grave. Se ele fizer a operação A, a Maria ficará completamente curada. Isso desde que ela sobreviva à própria operação … Infelizmente, só 10% dos pacientes sobrevivem a este tipo de operação. Mas o Paulo pode optar pela operação B, que é bastante mais segura: as estatísticas mostram que 90% dos pacientes sobrevivem a uma operação deste tipo. Se ele optar pela operação B, a Maria não ficará completamente curada, mas poderá ter uma vida normal – só terá de tomar alguns comprimidos regularmente. O Paulo opta pela operação A. A Maria tem a sorte de sobreviver e fica completamente curada.” ALMEIDA, AIRES DE, E OUTROS, A Arte de pensar, Volume 1 Filosofia 10º ano, Lisboa, Didáctica Editora, 2005, página 132.

Como avaliaria um utilitarista a conduta de Paulo? Diria ele que o Paulo agiu bem porque, afinal, curou completamente a Maria?

As éticas deontológicas /consequencialistas (utilitarismo)

A distinção entre as éticas deontológicas e consequencialistas:

1ª questão – O que torna as nossas acções certas ou erradas?

Utilitarismo – O que torna as nossas acções certas ou erradas são apenas as consequências das nossas acções, elas são-no apenas em virtude de promoverem imparcialmente o bem estar.
Deontologista – Para esta teoria nem só as consequências das nossas acções as tornam certas ou erradas. Muitas acções são intrinsecamente erradas. Todos temos que respeitar certos deveres que proíbem a realização dessas acções. Kant defende que os nossos deveres resultam de um princípio moral fundamental – O Imperativo Categórico. Para este filósofo, certos deveres, como o de não mentir, são absolutos, de tal maneira, que alguns tipos de actos nunca podem ser realizados, seja quais forem as consequências. Há regras morais que devem ser respeitadas em todas as circunstâncias possíveis.

2ª questão – Quando é que as nossas acções são certas ou erradas?

Utilitarismo – Para esta teoria uma acção é certa apenas quando máxima o bem-estar, ou seja, quando promove tanto quanto possível o bem-estar. Qualquer acção que não o maximize é errada. Para os utilitaristas, a única obrigação moral básica é promover o bem-estar. O que importa são os efeitos das acções, as suas consequências e necessariamente o bem-colectivo.
Deontologista – Uma acção é errada quando com ela infringimos intencionalmente algum dos deveres. Qualquer acção eu não seja contraria a esses deveres não tem nada de errado. A ética exige primariamente que evitemos realizar certos tipos de actos, considerados intrinsecamente errados.

Argumentos dos deontologistas contra o utilitarismo:

Que o utilitarismo nos obriga a realizar certos actos que não são moralmente obrigatórios. É uma teoria moral demasiado exigente.
Que o utilitarismo permite ou consente certos actos que não moralmente permissíveis. É uma teoria moral de demasiado permissiva.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Critica de Stuart Mill a Kant

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt



"(...) Não posso deixar de referir, a título ilustrativo, um tratado sistemático de um dos mais ilustres (filósofos), a Metafísica da Ética, de Kant. Este homem notável, cujo sistema de pensamento permanecerá por muito tempo um dos marcos na história da especulação filosófica, estabelece realmente no tratado em questão, um primeiro princípio universal como origem e fundamento da obrigação moral; é este "Age de tal maneira que a regra da tua acção possa ser adoptada como lei por todos os seres racionais". Mas quando começa a deduzir deste preceito qualquer um dos deveres reais da moralidade, fracassa, de tal forma grotesca, em demonstrar que haveria qualquer contradição, qualquer impossibilidade lógica (para não dizer física), na adopção por todos os seres racionais das regras de conduta mais revoltantemente imorais. Tudo que demonstra é que as consequências da sua adopção universal seriam de tal ordem que ninguém escolheria sofrê-las. (...)
Quando Kant (como antes assinalamos) propõe como principio fundamental da moral "Age de tal forma que a regras da tua acção possa ser adoptada como lei por todos os seres racionais" reconhece virtualmente que o interesse da humanidade, no seu conjunto, ou pelo menos da humanidade considerada indiscriminadamente, deve estar na mente do agente quando decide conscienciosamente sobre a moralidade do acto. De outra forma está a usar palavras sem sentido: pois não pode defender-se com plausibilidade que mesmo uma regra de total egoísmo não tenha a possibilidade de ser adoptada por todos os seres racionais – que exista na natureza das coisas um qualquer obstáculo insuperável à sua adopção. Para dar algum significado ao principio kantiano, o sentido que lhe é conferido tem de ser que devemos moldar a nossa conduta por uma regra que todos os seres racionais pudessem adoptar com benefício para o seu interesse colectivo."John Stuart Mill, Utilitarismo, Lisboa Editora

1. Assinale, tendo o texto como referência, qual a principal crítica que Stuart Mill faz à concepção moral de Kant.
2. "A moralidade das nossas acções não depende das intenções mas sim das consequências" Concorda com esta afirmação? Justifique a sua opinião.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Utilitarismo ético


Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt

A tese fundamental do consequencialismo é a de que uma acção é moralmente correcta se os seus resultados forem mais bons do que maus. (...)
PGU: Uma acção moralmente correcta é a que produz maior prazer (bem) e/ou menor sofrimento (mal) para a maioria.
O utilitarista clássico Jeremy Bentham foi quem primeiro elaborou esse princípio. Para medir a diferença entre o prazer e o sofrimento (a que ele chamava dor), Bentham sugeriu um cálculo utilitário, que consiste em fazer um balanço do prazer e da dor, medidos em termos de intensidade, duração, certeza, proximidade, fecundidade e pureza para cada pessoa envolvida, somando em seguida os resultados de modo a obter um balanço final. No caso do balanço final privilegiar o prazer sobre a dor, a acção será moralmente correcta, caso contrário ela será uma má acção. Para exemplificar, suponhamos que se queira construir uma represa numa certa localidade. Essa acção produzirá um bem por possibilitar a produção de energia eléctrica e irrigação de terras da região. Ela produzirá também um certo sofrimento: famílias que há muito tempo vivem na região que será alagada terão de ser deslocadas etc. Esse mal poderá ser reduzido se o governo reembolsar as perdas... Como o prazer resultante acabará sendo muito maior que o sofrimento, a construção da represa torna-se, quando medida pelos seus prováveis efeitos, uma boa acção.Claudio F. Costa

1. Defina o consequencialismo.
2. Tendo por base o exemplo proposto no texto, discuta o alcance do utilitarismo ético. Na sua resposta tenha presente o conceito de felicidade.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Utilitarismo

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt


"A doutrina que aceita como fundamento da moral a utilidade, ou o princípio da maior felicidade, defende quer as acções são correctas na medida em que tendem a promover a felicidade, e incorrectas na medida em que tendem a gerar o contrário da felicidade. Por felicidade entendemos o prazer, e a ausência de dor, e a privação do prazer. Para dar uma perspectiva clara do padrão moral estabelecido pela teoria é preciso dizer muito mais; em particular, que coisas se inclui nas ideias de dor e prazer; e até que ponto isto é deixado como questão em aberto. Mas estas explicações suplementares não afectam a teoria da vida na qual esta teoria da moralidade se baseia – nomeadamente, que o prazer, e a ausência de dor, são as únicas coisas desejáveis como fins; e que todas as coisas desejáveis (que são tão numerosas no esquema utilitarista como em qualquer outro) são desejáveis ou pelo prazer inerente a si mesmas ou como meios para a promoção do prazer e a prevenção da dor."
John Stuart Mill, Utilitarismo, Lisboa Editora

1. Estabeleça a relação necessária entre ética e felicidade segundo Stuart Mill.

Stuart Mill e o Utilitarismo

O utilitarismo é o tipo mais bem conhecido de teoria ética consequencialista. O seu mais famoso defensor foi John Stuart Mill. Esta teoria baseia-se no pressuposto de que o objectivo último de toda a actividade humana é a felicidade. Esta perspectiva é conhecida como hedonismo.
Um utilitarista define o “bem” como “seja o que for que trouxer a maior felicidade global.” Isto é, conhecido como o princípio de maior felicidade ou princípio da utilidade. Para um utilitarista, a boa acção pode ser calculada, examinando as consequências prováveis dos vários cursos possíveis de acção. A boa acção é a que tiver mais probabilidade de trazer a maior felicidade nas circunstâncias em causa, seja ela qual for.
O utilitarismo tem de lidar com consequências prováveis, porque habitualmente é extremamente difícil prever os resultados possíveis de uma acção específica, como por exemplo, insultar pessoas provoca infelicidade, mas quem estamos a insultar pode gostar de sê-lo.
O sistema utilitarista esteve mergulhado em acesa polémica, nomeadamente em relação a equívocos e interpretações erróneas como as noções de utilidade e de prazer.
Em suma, poder-se-á dizer que para o utilitarismo, as acções são moralmente certas ou erradas apenas em virtude das suas consequências. Sob o ponto de vista moral, uma opção é melhor do que outra se, e só se, tiver melhores consequências, resultados ou efeitos do que ela. As melhores consequências são sempre aquelas que impliquem o bem-estar ou felicidade de todos aqueles que são afectados pelas nossas acções.
A moralidade reside no esforço para maximizar o prazer e procurar tanta felicidade quanta nos for possível. O princípio da maior felicidade é o fundamento moral desta ética e o critério a partir do qual se avaliam as boas ou más acções.
Síntese do Utilitarismo:

Útil significa o prazer em si mesmo, aliado à ausência de dor.
Fundamento da moral utilitarista é a utilidade ou princípio da maior utilidade.
Felicidade – o prazer e a ausência de dor.
Infelicidade – dor e privação de prazer.
O prazer e a ausência de dor são os únicos fins desejáveis.
Desejável é aquilo que como fim promove o prazer ou previne a dor.

Com Stuart Mill a Moralidade passa a ser a realização de cada ser humano neste mundo, aqui e agora. O princípio da utilidade exige que cada um de nós faça o que for necessário e estiver ao seu alcance para promover a felicidade e evitar a dor.
Ao avaliarmos as consequências previsíveis de uma acção, temos pois de considerar não apenas a quantidade mas também a qualidade de prazer que dela possa resultar.

Críticas ao Utilitarismo

É difícil medir a felicidade e compará-la entre pessoas diferentes.
Mill distingue prazeres elevados (intelectuais) de prazeres baixos (físicos). Os primeiros contam mais que os segundos. “É preferível ser um Sócrates triste, mas sábio; do que um ignorante feliz”.
Muitas acções são consideradas imorais. Por exemplo, enforcar um inocente em público para haver menos crimes. O utilitarismo tem como pressuposto a ideia de que a acção moralmente boa é a que produz maior felicidade

terça-feira, 3 de março de 2009

A ética kantiana

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt/


"Não é possível em seja o que for no mundo, ou até fora dele, que se possa considerar bom sem qualificação excepto a vontade boa. A inteligência, a perspicácia, o discernimento e sejam quais forem os talentos do espírito que se queira nomear são sem dúvida bons e desejáveis, em muitos aspectos, tais como as qualidades do temperamento como a coragem, a determinação, a perseverança. Mas podem também tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade, que dará uso a estes dons da natureza e que na sua constituição especial se chama "carácter", não for boa. O mesmo acontece com os bens da fortuna; poder, riquezas, honra e até a saúde, e o completo be estar e satisfação relativamente à nossa condição a que se chama "felicidade" suscitam o orgulho e muitas vezes desse modo a arrogância, a não ser que exista uma vontade boa para corrigir a sua influência no espírito e desse modo também rectificar todo o princípio da acção e torná-lo universalmente conforme ao seu fim. Um ser que não seja agraciado por qualquer resquício de uma vontade pura e boa mas que contudo desfrute de uma prosperidade ininterrupta nunca pode deleitar um espectador racional e imparcial. Assim, uma boa vontade parece constituir a condição indispensável até para se ser digno de felicidade. (…)
Há apenas um imperativo categórico, e é este: Age apenas de acordo com aquela máxima que possas ao mesmo tempo querer que se torne uma lei universal.
Ora, se todos os imperativos categóricos podem ser derivados deste imperativo como principio deles, então pode pelo menos mostrar-se o que se entende pelo conceito de dever e o que este conceito significa, apesar de ficar por decidir se o que se chama "dever" não será um conceito vazio.
A universalidade da lei de acordo com a qual os efeitos se produzem constitui o que apropriadamente se chama "natureza" no sentido mais geral (quanto à forma ), isto é, a existência de coisas enquanto determinadas por leis universais. Assim, o imperativo universal do dever pode exprimir-se assim: Age como se a máxima da tua acção se tornasse pela tua vontade uma lei universal da natureza. "Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes





1. Porque motivo defende Kant que " uma vontade boa parece constituir a condição indispensável até para se ser digno de felicidade"?
2. Comente o significado filosófico do imperativo categórico.
3. Explicite o conceito de natureza em Kant.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Moral Kantiana


Kant foi um filósofo do século XVIII, integrado no Movimento das Luzes, defensor da liberdade e da emancipação do homem. “Ousa pensar” é o lema kantiano, o qual pretende que o homem pense por si mesmo, que desperte a razão humana, lutando contra os preconceitos, contra o que é imposto exteriormente à razão. Para Kant, o homem deve pensar por si mesmo, fazer uso da sua própria razão. Desta forma, Kant propôs uma ética autónoma, formal oposta às éticas materiais.
Para Kant, o homem que se guia por éticas materiais não tem autonomia da razão, isto é, não possui uma razão livre para decidir por si; obedecendo apenas às inclinações (associadas ao corpo).
Kant irá propor uma ética racional, a qual será universal e com capacidade de restituir ao homem o poder de decidir livremente.
Este filósofo fala-nos de uma concepção dualista do homem, isto é o homem apresenta uma disposição para a animalidade (corpo/exterioridade) e para a humanidade (razão/interioridade). Na animalidade, o homem é visto enquanto realidade empírico-sensível (material) que dispõe de um corpo dotado de apetite, impulsos, desejos, ligados às necessidades de ordem biológica. Na humanidade, integra-se a parte racional do homem, onde reside a autonomia, a liberdade e consciência, numa palavra, a capacidade de agir moral do homem. Nesta medida, o homem deve ter forças para seguir os ditames (ordens) da razão, ainda que os apetites e as inclinações biológicas ameacem desviá-lo para uma direcção diferente.


DEVER

O respeito pelo dever é uma noção central na ética kantiana. Kant distingue no homem três espécies de acção:
1º Acção contra o dever – É o que acontece quando o comerciante explora os clientes, cobrando preços abusivos. Esta acção é destituída de valor moral.
2º Acção conforme ao dever - Esta acção não tem valor moral porque ela não passa de um meio para alcançar um fim exterior à acção. O comerciante que mantém os preços para assegurar os seus clientes e ter novos/futuros cliente.
3º Acção por dever – è a acção verdadeiramente moral, pois o seu valor reside na própria acção. É praticada por respeito ao dever, ela é um fim em si mesmo e não um meio para obter recompensa. É executada de acordo com a boa vontade. O comerciante que não vende caro porque é esse o seu dever.

Kant considera que o homem só age bem se actuar por dever. Agir por dever é agir por respeito à lei moral e não por submissão ao fim a atingir.

IMPERATIVO CATEGÓRICO

Máximas:

1ª Age sempre segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que ela se torne uma lei universal.

2ª Age sempre de maneira a tratar a humanidade tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio.

Os imperativos são formais, isto é são vazios de conteúdo. Nenhum faz referência ao que se pode atingir com as acções praticadas. Eles não estabelecem nenhuma norma particular para esta ou aquela acção, estabelecem a forma que deve presidir a qualquer um dos nossos actos. Assim, os imperativos morais são “a priori”, ou seja, a sua validade não depende da experiência. Conferem àquelas regras carácter incondicional, pelo que surgem como aconselhamentos válidos para todas as pessoas. São normas válidas independentemente do que quer que seja e têm aplicação universal.
O imperativo categórico evidencia a ideia de homem como fim. Não devemos instrumentalizar as pessoas, isto é, fazermos delas um meio de alcançar certos objectivos. A pessoa considerada como fim constitui-se como objectivo a que tudo se deve subordinar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Exposição "Picasso La Danza"


Aproveitando o Sol e o dia espectacular que teve ontem nada melhor que fazer outra aula no exterior e por mais uma razão deveras importante ... não é todos os dias que temos o privilégio de entrar em contacto directo com as obras de Picasso e por isso fui com uma das minhas turmas ver a Exposição "Picasso La Danza" que consiste em telões, figurinos e gravuras para o bailado Le Tricorne que pertence à colecção Bancaja.
Como devem imaginar não é fácil sensibilizar um grupo de adolescentes na casa dos 16/17 anos para este tipo de exposição, mas esta reunia algo fabuloso a pintura, a música clássica, o bailado , a gravura e claro, Picasso!
Como é do conhecimento geral Picasso manifestou um interesse especial pelas Artes Cénicas, nomeadamente a nível dos telões de cena, cenários e trajes para vários bailados devido à sua colaboração com Serge Díaghílev. Este último foi um elemento aglutinador de várias figuras das artes, música, dança e pintura originando assim um novo conceito e dimensão de bailado. Na produção dos seus bailados reuniu os melhores criadores como Picasso e Coco Chanel.
Le Tricorne, o segundo de quatro bailados para os Ballets Russes , com cenários e figurinos de Picasso estreou-se em Londres a 12 de Julho de 1919, com música de Manuel de Falla. O argumento é inspirado na obra de Pedro António de Alarcón, "El Sombrero de Três Picos" (O Chapéu de Três Bicos), que narra as intrigas amorosas de um moleiro, da sua mulher e de um corregedor. Este bailado possui um conteúdo sócio-político, o triunfo do povo sobre a decadente monárquia, mas como pretexto de mostrar a singularidade do folclores espanhol.
O cenário pálido e neutro faz ressalvar as cores dos trajes e o conceito cubista de Picasso encontra-se patente na apresentação do espaço e da perspectiva.
Os figurinos de inspiração Goyesca representam as diversas regiões espanholas, provocando um deslumbramento visual devido às suas estruturas tridimensionais.
Os meus alunos adoraram ver este figurino e para meu espanto assitiram ao Bailado quietinhos e caladinhos ...
Depois passámos para a Sala 2, onde nos esparavam as gravuras, ao entrarmos ...
Ouvi alguém dizer ...:
- Oh, Storita ... mas isto é muito à frente ... o homem via as mulheres assim ... coitado!
Claro que eu e a equipa que nos fez a visita guiada, espectaculares sem dúvida, fartamo-nos de rir ... pois eles viam ao pormenor cada gravura e diziam que Picasso devia ter cá um andamento ... claro, gargalhada geral!
O que vimos foram as gravuras das Suites 347 e 156 muito interessantes, com um traço espectaculares e de cariz bastante erótico ... por isso o entusiasmo!
Estas gravuras foram feitas nos anos de 1968 e 1970 cujo o tema retratado é a dança, como recordação da sua juventude e provavelmente para superar a velhice ... eis um contemplador de mulheres, da dança, do erótico ...
Foi uma visita interessante e muito didáctica do ponto de vista histórico e estético. Os meus "meninos" adoraram e eu também!
Aconselho vivamente a passarem por lá ... Galeria Municipal Paços do Concelho em Torres Vedras de segunda a sábado das 9.30h às 19.00h.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Estrutura da consciência moral


A consciência moral possui uma estrutura:

- complexa - porque constituída por elementos de diferentes níveis do nosso psiquismo.

- evolutiva - porque vai amadurecendo em função dos resultados da acção e das suas próprias experiências.

- dialéctica - porque os seus elementos interagem uns com os outros, intensificando-se ou inibindo-se, e porque os sentimentos e raciocínios pessoais se constituem em função das pressões e normas sociais.


Ela é simultaneamente pessoal e social, sendo algo de interior, de subjectivo, de íntimo, possui também uma dimensão comunitária dado que resulta, em parte, de um processo de interiorização e de assimilação das normas sociais. Mas uma vez constituída motiva igualmente comportamentos sociais positivos. Suponhamos que não possuíamos consciência moral. Como poderíamos coexistir com outras pessoas? As relações sociais seriam então reguladas somente pela força, pela violência, pela agressão, etc. Seria possível viver assim? E se fosse, valeria a pena viver num tal ambiente de guerra e de violência? É óbvio que a espécie humana não subsistiria durante muito tempo nessas condições.

Parece então que VALORES, como LEI, ORDEM, CONTRATO, RESPEITO MÚTUO, TOLERÂNCIA, têm de ser reconhecidos como algo que vale a pena respeitar.

Mas para serem respeitados, "reconhecidos" tem de haver um mínimo de consciência moral que os aceite como valores e que guie a acção humana em função deles.

A consciência moral faz de nós agentes morais ou pessoas. È porque podemos livremente optar por fazer isto ou aquilo, que podemos ser responsabilizados pelas consequências dos nossos actos.

A consciência moral - qual a sua origem?

Foto retirada da net

Na estrutura da acção humana, encontramos vários níveis ou dimensões:

- a dimensão do agir considerado como o agir da consciência, corresponde a acção moral.

- é a este nível da acção que se refere a dimensão ética do agir, a acção que é possível pela liberdade.

Ao falarmos de valores do mundo contemporâneo, viu-se que actualmente se assiste a uma polarização em novos valores mais ligados ao desenvolvimento da personalidade íntima. Houve uma mudança nas concepções morais e as consciências individuais já não se indignam com comportamentos que outrora eram motivo de repúdio. Houve, portanto, uma mudança na mentalidade social quanto ao que é moral ou imoral.

Quem ajuíza moralmente julga a partir da sua consciência, a partir de uma certa escala ou tábua de valores subjectivamente assumidos. Estes fornecem os critérios para julgar acerca do bem e do mal dos nossos comportamentos e servem também de fundamento aos raciocínios que justificam a escolha moral numa dada situação.

A dimensão ética do agir está intimamente associada a uma forma peculiar da nossa consciência que nos "DIZ" o que devemos ou não fazer, ou, quando fazemos algo, nos passa uma "reprimenda interior" ou nos faz um "elogio" consoante julga que agimos bem ou mal.

A consciência moral aparece assim à nossa experiência como uma espécie de "Juiz interior" que nos ordena o que deve ser, parecendo assim desempenhar uma função essencialmente crítica do agir.

Como se vai estruturando a consciência moral?

O pensamento moral está sujeito a um processo de desenvolvimento que passa por várias etapas ou estádios. A progressão nos estádios está ligada ao desenvolvimento da consciência reflexiva racional e ao tipo de relações sociais em que o indivíduo se insere. De modo geral, esta progressão orienta-se numa direcção que vai da HETERONOMIA para a AUTONOMIA.

A consciência moral vai evoluindo de um "medo irracional" do castigo e de uma interiorização das normas para, na sua fase mais elevada a quem nem todos chegam, uma AUTODETERMINAÇÃO em função de PRINCÍPIOS MORAIS racionalmente justificados.

A consciência moral é composta por sentimentos morais, raciocínios morais e normas morais interiorizadas e sujeitas a pressão social. Se a consciência moral é constituída por três tipos de elementos, sentimentos, raciocínios e normas, isto significa que há nela uma dimensão que não se deixa reduzir à pura racionalidade.

O resultado de uma acção orientada por sentimentos a raciocínios morais altera o modo de percepção do estímulo e pode aguçar ou embotar os sentimentos e alterar as normas.

Assim, consciente e responsável são dois conceitos inseparáveis. Porque só aquele que reconhece os actos como seus e sabe distinguir uma boa acção de uma má acção é que pode dar razões da sua conduta, é que pode ser responsabilizado. Por isso, CONSCIÊNCIA é um termo que significa fundamentalmente duas coisas:

- "ter consciência de algo", é dar-se conta, saber lago. O não saber, o não dar-se conta é estar inconsciente (psicologia).

- como significado moral significa a FACULDADE que possuímos de julgar em nós mesmos o que é bom ou mau, é a nossa bússola moral, uma voz interior que nos aplaude ou repreende.

Por RESPONSABILIDADE, RESPONSÁVEL entende-se:

- comprometer-se perante alguém em retorno de ...

- a capacidade e obrigação de responder ou prestar contas pelos próprios actos e seus efeitos aceitando as suas consequências.

- Só uma pessoa pode ser responsável; e é-o fundamentalmente por si mesma e perante si "em primeira pessoa", pelo que é intransmissível.

SENTIDO E ORIGEM DA VOZ DA CONSCIÊNCIA:

Os filósofos investigaram em que sentido se pode falar de uma voz da consciência e, sobretudo, qual é a origem dessa voz. A voz da consciência foi entendida ao longo do pensamento filosófico como:

- sanção correctora dos nossos actos;

- como faculdade que julga a moralidade das nossas acções;

- como intuição moral, etc.

Quanto à origem da consciência moral:

- Pode ser concebida como Inata. Supõe-se que, pelo mero facto de se existir, todos os homens possuem uma consciência moral;

- Pode ser concebida como ADQUIRIDA. Pode considerar-se que se adquires pela educação de potências morais inscritas no homem, ou pode supor-se que se adquire no decurso da história, da evolução natural das relações sociais, etc.

- A sua origem pode ser atribuída a uma entidade divina. Supõe-se em tal caso que Deus depositou no homem a "centelha de consciência", por meio da qual se descobre se um acto é justo ou injusto.

A dimensão ético-política

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt/

Texto I

"De todo o homem que atingiu a idade da razão se deve esperar que tenha considerado, reconhecido e cumprido os mandamentos e rejeitado o que é proibido. É-lhe exigido que responda pelo seu comportamento e que aceite as suas consequências. A fuga à responsabilidade é o mais claro indício de falência da maturidade moral. Só pela aceitação nos libertaremos, só pela participação responsável na vida do Estado nos tornaremos cidadãos; só pela da responsabilidade pelas nossas acções nos tornaremos pessoas." F. Heinemann

1. Tendo presente o texto, diga o que entende por responsabilidade.

2. Comente a importância que desempenha a responsabilidade na formação do conceito de pessoa.

Texto II

"Facilmente reconheceremos na distinção entre o objectivo de uma vida boa e a obediência às normas, a oposição entre duas heranças(...) onde a ética se caracteriza pela sua perspectiva teológica (...) e onde (...) é definida pelo carácter de obrigação da norma, logo numa perspectiva deontológica."
Paul Ricoeur, Éthique et Morale in Revista Portuguesa de Filosofia Janeiro/ Março, 1990, pp. 5-8.

1. Explicite a relevância do texto em função dos dois modelos éticos implícitos.

Texto III

"A consciência moral manifesta a autonomia e heteronomia do homem(...) A lei que nos obriga ultrapassa-nos, não a fizemos: as suas leis não são mandamentos de polícia, impostos do exterior. As suas ordens encontraram em nós cumplicidade."G. Madiner

1. Com base no texto, clarifique a distinção entre fundamento teológico e fundamento racional da moral.

(Retirado do site Netprof)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pessoa e responsabilidade

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt

"De todo o homem que atingiu a idade da razão se deve esperar que tenha considerado, reconhecido e cumprido os mandamentos e rejeitado o que é proibido. É-lhe exigido que responda pelo seu comportamento e que aceite as suas consequências. A fuga à responsabilidade é o mais claro indício de falência da maturidade moral. Só pela aceitação nos libertaremos, só pela participação responsável na vida do Estado nos tornaremos cidadãos; só pela da responsabilidade pelas nossas acções nos tornaremos pessoas."F. Heinemann

1. A partir do texto diga o que entende por responsabilidade.
2. Discuta a importância do conceito de responsabilidade na formação do conceito de pessoa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Noção de pessoa

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt

A noção de pessoa envolve as mais dignas características do ser humano, que o tornam um ser supremo, fonte e critério de toda as valorações que possamos efectuar.
Complete utilizando os seguintes conceitos: abertura ao outro, interioridade, singularidade, unidade, projecto/possibilidade, autonomia.

1- Cada ser humano é uma essência Individual. O que faz de cada um de nós um ser único, irrepetível e insubstituível.

2 - Cada ser humano é um micro cosmos, um centro de decisão, uma totalidade concreta, uma unidade psicológica e moral.

3 - O ser humano é o centro de decisão e de acção, já que revela ser o princípio e a causa do seu agir. O ser humano é efectivamente capaz de se autodeterminar.

4- Cada ser humano possui um campo, que é a consciência, que se traduz numa local de reserva e de intimidade que é inacessível e inviolável.

5- Só somos verdadeiramente pessoas na relação que estabelecemos com os outros. O ser humano caracteriza-se pela sua singularidade, unidade e autonomia.

6 - Nós não nascemos pessoas. Ser pessoa não é algo de adquirido, é uma das possibilidades que cada sujeito deve realizar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ficha de Revisões

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt, autoria de vitor tripologos
  1. Define juízo de valor e de facto. Dá exemplos.
  2. Explica as características dos valores.
  3. Será que os valores dão sentido à nossa vida?
  4. Estabelece a relação entre sociedade e cultura.
  5. Esclarece as diversas atitudes face à diversidade cultural, apontando os seus limites e consequências.
  6. Enquandra factos históricos e sociais em cada uma destas atitudes.
  7. O que é a Moral? E a Ética?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O filme "Neste Mundo"


Após ter passado o filme "Hotel Ruanda e ainda a propósito da discriminação, da diversidade cultural decidimos então passar este belíssimo e comovente filme.Dois primos deixam o Paquistão e iniciam uma viagem rumo a Inglaterra, em busca de uma vida melhor.
Jamal (Jamal Udin Torabi) e Enayat (Enayatullah) são dois primos que vivem na cidade de Peshawar, na fronteira do Paquistão, e que são enviados à Inglaterra para ter uma vida melhor. O roteiro da viagem é feito por traficantes de ópio, cigarros e peças de carro roubadas, sendo longo e perigoso. Eles entram no Irão escondidos em camiões e vão a pé pelas montanhas do Curdistão até chegarem à Turquia. Em Istambul a dupla consegue emprego, com o objectivo de conseguir dinheiro para pagar a próxima etapa da viagem: uma viagem de navio até a Itália.

Este filme colocá-nos a pensar no percurso, nos obstáculos, no risco que muitos emigrantes passam para ter uma vida melhor!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Noção de consciência moral

Foto retirada da net


Consciência, no aspecto moral, é a capacidade que o homem tem de conhecer não apenas valores e mandamentos morais mas de aplicá-los em diferentes situações.
A consciência moral tem alguns pressupostos que são a consciência psicológica que tem dentro de si, o outro, a realidade, a transcendência e a si mesmo. A consciência moral supõe uma hierarquia de valores, e também uma finalidade do acto seja ele bom ou mau. Ela consiste na capacidade do ser humano observar a própria conduta e formular juízos sobre os actos passados, presentes e as intenções futuras. E depois de julgar, o homem tem condições de escolher, dentre as circunstâncias possíveis, seu próprio caminho na vida.
Consciência moral: -ratifica no intimo as normas que vêm de fora; -exerce a sua autonomia face aos actos e ao mundo.
Temos também a consciência social e pessoal que vem formar a consciência moral, dentro de uma tensão nas dimensões do ser humano.

"O Clube dos Poetas Mortos" - o Filme

Imagem retirada da net

O "Clube dos Poetas Mortos" é um filme que pode ser analisado de muitos pontos de vista: o da confiança é um deles. As aulas de um colégio interno vão começar. Os alunos acham a disciplina de literatura uma maçada. Mas, logo na primeira aula, o professor - novato no colégio - explica a matéria de um modo completamente diferente. Motiva os alunos. Obriga-os a falar, a intervir, a pensar e deixa-os correr riscos. Confia neles.
Ao longo do filme, vamos conhecendo melhor os alunos. Um deles tem um conflito com os pais. Não há confiança entre eles. O pai nunca deixou "espaço e tempo" para o seu filho e este nunca teve coragem e oportunidade para explicar ao pai os seus pontos de vista. No colégio, também há um paralelismo curioso, pois o professor novo não goza de grande confiança por parte do Director. Mal se falam. Os dias vão-se sucedendo. As aulas de Literatura decorrem a bom ritmo. A relação entre o professor e os alunos é excelente. A barreira professor / aluno vai sendo ultrapassada, mas alguns não conseguem deixar de pensar e de actuar segundo uma visão do tipo "superior/inferior ou chefe/subordinado". O professor vai dando mostras cada vez maiores de que confia nos seus alunos. Mas essas provas não são por vezes compreendidas. Para não quebrar a confiança, o professor evita aprofundar algumas questões. O diálogo falha. Deixa correr riscos desnecessários. Incentiva mas sem a segurança necessária. Às vezes desconfia que algo poderá não estar correcto… mas não fala directamente com os alunos e quando o faz, um deles mente. Há desconfiança. O desastre tinha de acontecer e acontece com estrondo. No final, perdem os alunos, o colégio e o professor. Há um relativo "happy end" pois são apresentadas as linhas de rumo e algumas resultaram. Mas são evidentes as falhas de um sistema onde sem confiança, nada é possível. Não é só saber escolher as pessoas certas. Trata-se de saber construir uma equipa. A confiança não se impõe, é reconhecida. A confiança não se conquista, ganha-se…

(Texto retirado de http://educacao.aaldeia.net/)


Ficha de Trabalho sobre o conceito de Pessoa



Imagem retirada da net


FICHA DE TRABALHO

Leia atentamente estes dois excertos extraídos da comunicação social:


TEXTO 1 –
“ Contínuo a ter saudades da minha mãe, em especial quando se aproxima o Dia da Mãe. (...)
Família, trabalho árduo, sacrifícios e colocar sempre os filhos antes de tudo e de todos, foram valores que a minha mãe me ensinou. Bem como ter uma atitude sempre positiva, mesmo nos piores momentos. Para ela, esses piores momentos incluíram o alcoolismo do meu padrasto, a morte de três maridos, a luta do meu irmão contra a droga e a sua própria luta contra o cancro. Em criança, via a minha mãe sair todos os dias para o trabalho, numa altura em que não era fácil ser-se mãe trabalhadora. Já em adulto, fiquei maravilhado quando vi a minha mãe mergulhar no mundo da política para me ajudar nas vitórias e nas derrotas, ao mesmo tempo que encorajava o meu irmão na sua carreira profissional e lhe prestava todo o apoio possível e imaginário, para que ele conseguisse resolver o seu problema com a droga. E assisti, com grande admiração, ao modo como ela ultrapassava as suas desilusões, sempre com humor e determinação, tirando partido de cada momento da vida, mesmo quando o cancro da mama nos privou da sua companhia, quando ela tinha 70 anos. (...)
Independentemente das adversidades que enfrentava, tentou sempre divertir-se e adorava ver as pessoas subir na vida. Nunca invejou o sucesso e a felicidade dos outros. Apenas queria o mesmo para ela e para os seus filhos. (...)
Este domingo, ao ver a minha filha e a minha mulher a conversar e a rir à mesa de jantar, ouço os ecos das minhas próprias conversas com a minha mãe. E sinto-me grato pelo amor da minha mãe. O espírito das nossas mães fica connosco para sempre. Feliz Dia da Mãe.”
Bill Clinton, Notícias Magazine

TEXTO 2 –
“ Sabe-se hoje que a vulgar expressão “meninos da rua” corresponde a um conjunto de características bem definidas. Essas crianças foram abandonadas por adultos durante mais ou menos tempo, tiveram alimentação insuficiente, falta de hábitos de higiene e falta de vigilância médica, muitas vezes recorrem à mendicidade e ao roubo para si próprias e para as famílias. Vivem em barracas ou na rua e rapidamente mergulham em actividades ilícitas (droga, prostituição). Não exprimem emoção e raramente se queixam.
De quem é a culpa? É melhor pensarmos que somos todos responsáveis. Os pais não tiveram condições para exercer a função parental. Sabe-se através de investigações detalhadas de psicossociólogos que a pobreza é decisiva para a génese deste problema. (...)
A verdade é que, quando não há casa nem pão, é difícil haver estímulos positivos para que a auto-estima destas crianças não desça vertiginosamente.
É, pois, necessário, não continuar a proceder como se estas coisas só se passassem “lá fora” (que é um país que não conheço). Estão bem aqui ao pé da porta, nas periferias de Lisboa, Amadora, Setúbal e Porto. Para que não as esqueçamos.
E, senhores políticos, não acham isto mais importante que a regionalização?”
Daniel Sampaio ,Notícias Magazine

A partir deles redija uma composição na qual exprima, fundamentado-o, o seu ponto de vista sobre este tema: A educação, os valores e a pessoa.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pessoa

Salvador Dali


"De todo o homem que atingiu a idade da razão se deve esperar que tenha considerado, reconhecido e cumprido os mandamentos e rejeitado o que é proibido. É-lhe exigido que responda pelo seu comportamento e que aceite as suas consequências. A fuga à responsabilidade é o mais claro indício de falência da maturidade moral. Só pela aceitação nos libertaremos, só pela participação responsável na vida do Estado nos tornaremos cidadãos; só pela da responsabilidade pelas nossas acções nos tornaremos pessoas."
F. Heinemann

1. Tendo presente o texto, diga o que entende por responsabilidade.
2. Comente a importância que desempenha a responsabilidade na formação do conceito de pessoa.

Exercício II

A noção de pessoa envolve as mais dignas características do ser humano, que o tornam um ser supremo, fonte e critério de toda as valorações que possamos efectuar. Complete o quadro seguinte utilizando os seguintes conceitos: abertura ao outro, interioridade, singularidade, unidade, projecto/possibilidade, autonomia.


Cada ser humano é uma essência Individual. O que faz de cada um de nós um ser único, irrepetível e insubstituível.

Cada ser humano é um micro cosmos, um centro de decisão, uma totalidade concreta, uma unidade psicológica e moral.

O ser humano é o centro de decisão e de acção, já que revela ser o princípio e a causa do seu agir.

O ser humano é efectivamente capaz de se autodeterminar.

Cada ser humano possui um campo, que é a consciência, que se traduz numa local de reserva e de intimidade que é inacessível e inviolável.

Só somos verdadeiramente pessoas na relação que estabelecemos com os outros. O ser humano caracteriza-se pela sua singularidade, unidade e autonomia.

Nós não nascemos pessoas. Ser pessoa não é algo de adquirido, é uma das possibilidades que cada sujeito deve realizar.
(Retirado do site Netprof)

sábado, 24 de janeiro de 2009

GLOSSÁRIO KANTIANO



A PRIORI – independente da experiência, ou seja, não deriva ou procede dela.

BOA VONTADE – é uma vontade cujas decisões são boas em si mesmas. Opõe-se à vontade útil, aquelas cujas decisões só valem como meios para a realização de determinado fim A vontade boa é aquela que quer praticar boas acções, em virtude do valor intrínseco que atribui a essas acções. Agir bem é agir por dever. A boa vontade age desinteressadamente, de acordo com o dever.
LEI MORAL – é uma lei que se apresenta sob a forma de imperativo categórico. Não prescreve que se realize este ou aquele fim nem os meios a utilizar para a realização de uma finalidade. A lei moral exige que a vontade ao escolher a máxima da sua acção possa pretender que essa máxima valha para a vontade de todo e qualquer ser racional. O que eu escolho como princípio da minha acção.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O que é a moral?


«A moral diz respeito à acções praticadas por hábito e aos costumes em geral, o que privilegia o lado pelo qual a acção é ainda exterior ao sujeito; esta exterioridade reenvia então para a lei e a regra.
A conformidade com a lei domina, mas, ao mesmo tempo, a lei é considerada com a cristalização do hábito. Em sentido oposto, a ética analisa a dimensão pessoal da acção, mostrando o modo como o agir surge da própria interioridade da pessoa que age. Já não é a conformidade com a lei que é a primeira na consideração ética, mas a fidelidade ao centro pessoal do qual a acção emana. Segundo uma outra abordagem ligeiramente diferente, a moral considera o agir na sua relação com a lei (…) ao passo que a ética trata do fundamento da moral.»
I. Renaud e M. Renaud, Moral

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Moral e ética

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt

«A moral diz respeito à acções praticadas por hábito e aos costumes em geral, o que privilegia o lado pelo qual a acção é ainda exterior ao sujeito; esta exterioridade reenvia então para a lei e a regra.
A conformidade com a lei domina, mas, ao mesmo tempo, a lei é considerada com a cristalização do hábito. Em sentido oposto, a ética analisa a dimensão pessoal da acção, mostrando o modo como o agir surge da própria interioridade da pessoa que age. Já não é a conformidade com a lei que é a primeira na consideração ética, mas a fidelidade ao centro pessoal do qual a acção emana. Segundo uma outra abordagem ligeiramente diferente, a moral considera o agir na sua relação com a lei (…) ao passo que a ética trata do fundamento da moral.» I. Renaud e M. Renaud, Moral

1. Tendo presente a frase sublinhada estabeleça a diferença entre moral e ética.

A dignidade humana

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt

"Em primeiro lugar a inviolabilidade de cada pessoa, o reconhecimento de que não pode ser utilizada ou sacrificada pelos outros como um simples instrumento para a realização de fins gerais. Assim, sendo, não há «direitos humanos» colectivos, pela mesma razão de que não há seres «humanos» colectivos, a pessoa humana não pode existir fora da sociedade, mas não se esgota no serviço a ela.
Daqui resulta a segunda característica da dignidade, o reconhecimento da autonomia de cada um para traçar os seus próprios planos de vida e as suas próprias normas de excelência, sem outros limites a não ser o direito semelhante à mesma autonomia.
Em terceiro lugar, o reconhecimento de que cada um deve ser tratado socialmente de acordo com a sua conduta, mérito ou desmérito pessoais, e não segundo factores aleatórios que não são essenciais à sua humanidade: raça, etnia, sexo, classe social, etc. Em quarto e último lugar, a exigência de solidariedade com a infelicidade e sofrimento dos outros, o manter viva e activa a cumplicidade dos outros."
Fernando Savter, As Perguntas da Vida

1. Partindo do texto, estabeleça a ligação necessária entre a dignidade humana e o conceito de pessoa.

(Retirado do site Netprof)

Hotel Ruanda



Objectivo: Problematização e reflexão sobre a diversidade cultural, relativismo e tolerância.

Visualização de filme

Título: Hotel Ruanda
Título Original: Hotel Rwanda
Realização: Terry George
Argumento: Terry George, Keir Pearson
Duração: Cerca de 110 minutos
Origem: África do Sul/ Canadá/Itália/Reino Unido 2004


Resumo: O Ruanda é uma antiga colónia belga em África com cerca de 8 milhões de habitantes e onde a esperança média de vida ronda os 45 anos. Está dividido em duas etnias: a minoria Tutsi (cerca de 15% da população) e a maioria Hutu (cerca de 84% da população).
Em 1994 o Ruanda foi palco de uma das maiores atrocidades da história da Humanidade: em apenas 100 dias, quase um milhão de tutsis são brutalmente assassinados por milícias de etnia Hutu.
O genocídio de 937 mil tutsis (números das Nações Unidas) aconteceu sem que tivesse havido qualquer intervenção humanitária internacional.
“Hotel Ruanda” é baseado em factos reais, pouco divulgados à época pela comunicação social. Paul Rusesabagina, o homem que inspirou o filme, recebeu o Prémio Humanitário do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados. Foi a primeira vez na sua história que a Organização das Nações Unidas entregou esta condecoração.

Passos de Análise:

Caracterizar as noções de etnocentrismo, xenofobia e genocídio.


“Mas se ninguém intervir continuará a ser bom mostrá-lo?”, pergunta o jornalista a Paul Rusesabagina, a respeito das imagens do massacre. Responda criticamente a esta questão.


Salvar os “nossos” foi a palavra de ordem do Ocidente. Analise criticamente esta noção de “nossos”. Tendo em conta o exemplo do conflito do Ruanda, problematize a noção de tolerância.

Tolerância (II)


Nenhuma forma de tolerância é tão ampla que compreenda todas as ideias possíveis. (…)
Uma coisa é afirmar que a tolerância jamais é ilimitada (somente a tolerância negativa é ilimitada; mas, por isso mesmo, acaba por desacreditar a própria ideia de tolerância); outra é considerar que, se ela deve ter limites, os critérios para fixá-los não devem ser os propostos por Marcuse.
O único critério razoável é o que deriva da própria ideia de tolerância, e pode ser formulado assim: a tolerância deve ser estendida a todos, salvo àqueles que negam o princípio de tolerância, ou, mais brevemente, todos devem ser tolerados, salvo os intolerantes. Essa era a razão pela qual Locke considerava que o princípio de tolerância não deveria ser estendido aos católicos, sendo também a que justifica hoje, na esfera da política, a negação do direito de cidadania aos comunistas e aos fascistas. Trata-se, de resto, do mesmo princípio pelo qual se afirma que a regra da maioria não vale para as minorias opressoras, ou seja, para aqueles que, se se tornassem maioria, suprimiriam o princípio da maioria.
Naturalmente, também este critério de distinção - que, abstractamente, parece claríssimo - não é de fácil realização na prática, como parece à primeira vista, e não pode ser aceite sem reservas.
A razão pela qual não é tão claro como parece quando enunciado reside no facto de que há várias gradações de intolerância e são vários os âmbitos onde a intolerância pode manifestar-se. Não pode ser aceite sem reservas por uma razão de modo algum negligenciável: quem crê na bondade da tolerância fá-lo não apenas porque constata a irredutibilidade das crenças e opiniões - com a consequente necessidade de não empobrecer, mediante proibições, a variedade de manifestações do pensamento humano -, mas também porque crê na sua fecundidade, e considera que o único modo de fazer com que o intolerante aceite a tolerância não é a perseguição, mas o reconhecimento do seu direito a expressar-se. Responder ao intolerante com a intolerância pode ser formalmente irrepreensível, mas é certamente algo eticamente pobre e talvez também politicamente inoportuno. Não estamos a afirmar que o intolerante, acolhido no recinto da liberdade, compreenda necessariamente o valor ético do respeito às ideias alheias. Mas é certo que o intolerante perseguido e excluído jamais se tornará um liberal. Pode valer a pena pôr em risco a liberdade fazendo com que ela beneficie também o seu inimigo, se a única alternativa possível for restringi-la até ao ponto de a fazer sufocar, ou, pelo menos, de não lhe permitir dar todos os seus frutos. É melhor uma liberdade sempre em perigo, mas expansiva, do que uma liberdade protegida, mas incapaz de se desenvolver. (…)
A escolha entre as duas atitudes é uma escolha última; e, como toda a escolha última, não é facilmente defensável com argumentos racionais. De resto, há situações históricas que podem favorecer ora uma das opções, ora outra. Ninguém pensaria hoje em renovar a proibição dos católicos, como queria Locke, porque as guerras religiosas terminaram, pelo menos na Europa, e não é previsível o seu retorno. (…)
Devemos contentar-nos em dizer que a escolha de uma ou de outra solução permite distinguir entre uma concepção restritiva da tolerância, que é própria do liberalismo conservador, e uma concepção extensiva, que é própria do liberalismo radical ou progressista, ou que outro nome se lhe queira dar.(…) Onde a história destes últimos séculos não parece ambígua é quando mostra a interdependência entre a teoria e a prática da tolerância, por um lado, e o espírito laico, por outro, entendido este como a formação daquela mentalidade que confia a sorte do regnum hominis mais às razões da razão que une todos os homens do que aos impulsos da fé. Esse espírito deu origem, por um lado, aos Estados não confessionais, ou neutros em matéria religiosa, e ao mesmo tempo liberais, ou neutros em matéria política; e, por outro lado, à chamada sociedade aberta, na qual a superação dos contrastes de fé, de crenças, de doutrinas, de opiniões, deve-se ao império da aúrea regra segundo a qual a minha liberdade se estende até ao ponto em que não invada a liberdade dos outros, ou, para usar as palavras de Kant, "a liberdade do arbítrio de um pode subsistir com a liberdade de todos os outros segundo uma lei universal" (que é a lei da razão).»
N. BOBBIO, A Era dos Direitos, Rio de Janeiro, ed. Campos, 1992, pp. 212-216

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tolerância

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt

"O caminho para a não violência passa pelo respeito da diversidade de cultura, religião, práticas sexuais e assim por adiante. Se a relação com o outro for profunda, implica o desafio de repensar a realidade e as relações sociais, a partir de outros critérios e paradigmas. Quando se descobre que nenhum tipo de violência é positivo, a única alternativa para uma convivência humana e digna é a não violência." Marcelo Barros, www.cidadanet.org. br/mbarros/300104.htm

1. Comente a importância que desempenha o conceito de tolerância e de altruísmo, na afirmação plena e livre das convicções religiosas, da orientação sexual ou da origem social ou étnica de cada ser humano.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Darfur

Foto retirada de http://www.worldproutassembly.org


Em Março de 2004, Darfur, região no Sudão Ocidental, foi descrito por Muskesh Kapila, na altura Coordenador Humanitário da ONU, como “a maior crise humanitária do mundo”.
O testemunho de muitas mulheres dá voz a centenas de outras, em testemunhos recolhidos pela Amnistia Internacional, por outras organizações dos Direitos Humanos, missões de investigação da ONU e jornalistas independentes. Todos eles descrevem um padrão de ataques sistemáticos e ilegais sobre os civis no Norte, Oeste e Sul do Estado de Darfur, cometidos pela mílicia geralmente referida como “Janjawid” (homens armados em cavalos) ou “Milícias Árabe” e pelo exército do Governo. Estes ataques massivos são a resposta do governo sudanês à revolta de dois grupos políticos armados da região.
As graves violações dos direitos humanos incluem: execuções extrajudiciais, mortes civis, torturas, violações sexuais, raptos, destruição de propriedades e de aldeias, furto de gado e de propriedades, destruição de meios de subsistência da população atacada e deslocação forçada.


Elabora uma reflexão a partir desta “crise humanitária”, tendo em conta a violação dos Direitos Humanos.

Os "Intocáveis"

Foto retirada de http://www.publico.clix.pt/imagens.aspx/177491?tp=UH&db=IMAGENS


"Ser hindu na Índia significa nascer no sistema de castas, enraizado na cultura indiana ao longo dos últimos 1500 anos e que obedece a um preceito essencial: todos os homens nascem desiguais. As classes da sociedade hindu têm origem numa lenda segundo a qual os agrupamentos principais, ou varnas, emergiram de um ser primordial. os brâmanes - sacerdotes e professores -nasceram da boca. Os cxatrias - governantes e soldados - dos braços. Os vêixias - comerciantes e mercadores - das coxas. Os sudra - trabalhadores - dos pés. Cada varna desdobra-se em centenas de castas e subcastas hereditárias, com hierarquias próprias.
Num quinto grupo, integram-se as pessoas declaradas achuta, ou intocáveis. O ser primordial não as reivindica como suas : os intocáveis são proscritos, demasiado impuros e demasiado conspurcados, para merecerem classificação como seres de respeito. O preconceito determina as suas vidas, sobretudo nas zonas rurais, onde vivem quase três quartos dos indianos. Os intocáveis são evitados, insultados, impedidos de entrar nos templos e nas casas das castas mais elevadas, têm de usar loiça e talheres separados para comer e beber em lugares públicos.
Em situações extremas, mas não raras, são violados, queimados, linchados e mortos a tiro."
T.O'NEILL, "Intocáveis", in National Geographic, Junho de 2003

Partindo do texto anterior, escreva uma dissertação argumentando a questão das diferenças culturais e do relativismo cultural.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Valores e cultura

Imagem retirada de http://www.bombachalarga.com.br

"É verdade que, do ponto de vista cultural, os seres humanos conquistaram, pouco a pouco e com muitos esforços, aquilo que eles consideram – e que nós consideramos ainda – como valores. Os valores não caíram todos do céu; noutros termos, os homens não descobriram os valores a partir de uma evidência já dada., como se fosse necessário perscrutar o próprio coração ou olhar para dentro de si mesmo para compreender quais são os objectivos da acção que são valores autênticos. O que é evidente, por exemplo, é a procura espontânea dos bens que mantêm a nossa vida física.
Estes “valores básicos “ não precisam de reflexão para serem vividos; o que exigiu o pensamento foi a construção dos meios técnicos (instrumentos como o machado de pedra para matar os animais, as técnicas de construção para habitação, etc…) para os realizar. Mas o que exigiu ainda mais tempo de reflexão e mais actos concretos, o que exigiu, por assim dizer, uma longa vida feita de tentativas fracassadas ou coroadas de êxito é a descoberta dos valores a que chamamos superiores. Tais valores, que regulam a vida relacional entre seres humanos, pressupõem um longo percurso civilizacional, percurso de que se pode às vezes reconhecer os marcos. Os “ Direitos do Homem” foram, depois de 1789, proclamados solenemente em 1948, no termo de uma guerra mundial que fez mais de 50 milhões de mortos.
Ainda que muitos povos já aplicassem estes direitos antes da Declaração Universal, não se pode negar que 1948 constitui um ponto de referência “histórico” na descoberta dos valores de respeito pelo ser humano enquanto pessoa. Há, deste modo, valores cuja origem está ligada com determinada cultura; citemos por exemplo a hospitalidade para os antigos Gregos, a pessoa para o mundo cristão, a democracia em Atenas e, depois da Revolução Francesa, a igualdade entre raças com a abolição da escravatura e, em seguida, do apartheid, a liberdade dos povos de decidir o seu futuro, com a descolonização depois da Segunda Guerra Mundial. Quando se afirma que os valores são historicamente marcados diz-se que é possível determinar, com certa margem de imprecisão, o seu nascimento enquanto valores reconhecidos quer por um grupo, quer pela maior parte das pessoas, quer pelo acordo quase universal das nações.
Os valores são todos relativos à época e ao contexto da sua descoberta na história dos seres humanos. As formas que os valores assumem variam com o tempo. Quanto mais básicos são, mais variam as formas da sua vivência. Em sentido contrário, quanto mais elevados são os valores, mais estável é o seu núcleo intangível., de tal modo que, através das vicissitudes das suas formas de apresentação, eles se manifestam como valendo apenas para todos os seres humanos."
Michel Renaud, “ Viver a Cidadania” , Educar Hoje – Enciclopédia dos Pais.


1. Estabeleça a diferença entre os “ valores básicos” e os “ valores superiores”.
2. Os valores são todos relativos à época e ao contexto da sua descoberta na história dos seres humanos».Partindo deste extracto do texto, discuta a perenidade / historicidade dos valores humanos.Retirado do site Netprof.

Relativismo Cultural

http://olhares.aeiou.pt


"É uma verdade incontroversa que pessoas de sociedades diferentes têm costumes diferentes e diferentes ideias acerca do bem e do mal morais. Não há consenso mundial sobre a questão de saber que as acções são moralmente boas e moralmente más, apesar de existir uma convergência considerável sobre estas matérias. Se tivermos em consideração o quanto as ideias morais mudaram, quer de lugar para lugar, quer ao longo do tempo, pode ser tentador pensar que não existem factos morais absolutos e que, pelo contrário, a moral relativa à sociedade na qual fomos educados. Segundo esta perspectiva, uma vez que a escravatura era moralmente aceite para a maioria dos Gregos antigos, apesar de o não para a maioria dos Europeus de hoje em dia, a escravatura seria moralmente boa para os Gregos antigos, apesar de ser moralmente má para os Europeus contemporâneos. "Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, Gradiva


1. Identifique a tese filosófica sobre a moral presente no texto. Justifique a sua resposta.
2. Qual a tese filosófica que se lhe pode opor? Tendo presente a mesma problemática, elabore um texto onde conteste a concepção presente no texto.
(Retirado do site Netprof)

Relativismo cultural


"(…) William Graham Sumner resume a essência do relativismo cultural. Sumner afirma que não há uma medida do certo e do errado, além dos padrões de uma dada sociedade: "A noção de certo está nos hábitos da população. Não reside além deles, não provém de origem independente, para os por à prova. O que estiver nos hábitos populares, seja o que for, está certo". Suponha-se que tomávamos isto a sério. Quais seriam algumas das consequências?
1. Deixaríamos de poder afirmar que os costumes de outras sociedades são moralmente inferiores aos nossos. Isto, é claro, é um dos principais aspectos sublinhados pelo relativismo cultural. Teríamos de deixar de condenar outras sociedades simplesmente por serem "diferentes": Enquanto nos concentrarmos apenas em certos exemplos, como as práticas funerárias dos gregos e calatinos isto pode parecer uma atitude sofisticada e esclarecida.
No entanto seríamos também impedidos de criticar outras práticas menos benignas. Suponha-se que uma sociedade declarava guerra aos seus vizinhos com o intuito de os fazer escravos. Ou suponha que uma sociedade era violentamente má anti-semita e os seus líderes se propunham destruir os judeus. O relativismo cultural iria impedir-nos de dizer que qualquer destas práticas estava errada. (Nem sequer poderíamos dizer que uma sociedade tolerante em relação aos judeus é melhor que uma sociedade anti – semita, por isso implicaria um tipo qualquer de padrão transcultural de comparação.) A incapacidade de condenar estas práticas não parece muito esclarecida; pelo contrário, e escravatura e a anti – semitismo afiguram-se erradas onde quer que ocorram. No entanto, se tomássemos a sério o relativismo cultural teríamos de encarar estas práticas sociais como algo imune à crítica.
2. Poderíamos decidir se as acções são certas ou erradas pela simples consulta dos padrões da nossa sociedade. O relativismo cultural propõe uma maneira simples para determinar o que está certo ou errado: tudo aquilo que de que necessitamos é perguntar se a acção está de acordo com os códigos da nossa sociedade. Suponhamos que em 1975 um residente da África do Sul se perguntava se a política de apartheid do seu país – um sistema rigidamente racista – era moralmente correcta. Tudo o que teria que fazer era perguntar se esta política se conformava com o código moral da sua sociedade. Em caso de resposta afirmativa, não haveria motivos de preocupação pelo menos de um ponto de vista moral.
Esta implicação do relativismo cultural é perturbadora porque poucos de nós pensam que o código moral da nossa sociedade é perfeito – não é difícil pensar em várias maneiras de as aperfeiçoar. No entanto, o relativismo cultural não se limita a impedir-nos de criticar os códigos das outras sociedades; não nos permite igualmente criticar a nossa. Afinal de contas, se certo e errado são relativos à cultura, isto tem de ser verdade tanto relativamente à nossa própria cultura como relativamente às outras." James Rachels, Elementos de Filosofia Moral


1. Porque motivo considera o autor do texto que o relativismo cultural não é moralmente possível?
2. Tendo presente o conceito de diálogo intercultural, explique porque motivos os raciocínios presente no texto, (entre as linhas 9 e 22) não podem ser moralmente sustentados.
3. Produza um texto onde discuta as relações existentes entre diversidade cultural e relativismo cultural.
4. Elabore um texto onde confronte os argumentos do relativismo cultural face ao etnocentrismo.
(Retirado do site Netprof)