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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Os "Intocáveis"

Foto retirada de http://www.publico.clix.pt/imagens.aspx/177491?tp=UH&db=IMAGENS


"Ser hindu na Índia significa nascer no sistema de castas, enraizado na cultura indiana ao longo dos últimos 1500 anos e que obedece a um preceito essencial: todos os homens nascem desiguais. As classes da sociedade hindu têm origem numa lenda segundo a qual os agrupamentos principais, ou varnas, emergiram de um ser primordial. os brâmanes - sacerdotes e professores -nasceram da boca. Os cxatrias - governantes e soldados - dos braços. Os vêixias - comerciantes e mercadores - das coxas. Os sudra - trabalhadores - dos pés. Cada varna desdobra-se em centenas de castas e subcastas hereditárias, com hierarquias próprias.
Num quinto grupo, integram-se as pessoas declaradas achuta, ou intocáveis. O ser primordial não as reivindica como suas : os intocáveis são proscritos, demasiado impuros e demasiado conspurcados, para merecerem classificação como seres de respeito. O preconceito determina as suas vidas, sobretudo nas zonas rurais, onde vivem quase três quartos dos indianos. Os intocáveis são evitados, insultados, impedidos de entrar nos templos e nas casas das castas mais elevadas, têm de usar loiça e talheres separados para comer e beber em lugares públicos.
Em situações extremas, mas não raras, são violados, queimados, linchados e mortos a tiro."
T.O'NEILL, "Intocáveis", in National Geographic, Junho de 2003

Partindo do texto anterior, escreva uma dissertação argumentando a questão das diferenças culturais e do relativismo cultural.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Relativismo cultural


"(…) William Graham Sumner resume a essência do relativismo cultural. Sumner afirma que não há uma medida do certo e do errado, além dos padrões de uma dada sociedade: "A noção de certo está nos hábitos da população. Não reside além deles, não provém de origem independente, para os por à prova. O que estiver nos hábitos populares, seja o que for, está certo". Suponha-se que tomávamos isto a sério. Quais seriam algumas das consequências?
1. Deixaríamos de poder afirmar que os costumes de outras sociedades são moralmente inferiores aos nossos. Isto, é claro, é um dos principais aspectos sublinhados pelo relativismo cultural. Teríamos de deixar de condenar outras sociedades simplesmente por serem "diferentes": Enquanto nos concentrarmos apenas em certos exemplos, como as práticas funerárias dos gregos e calatinos isto pode parecer uma atitude sofisticada e esclarecida.
No entanto seríamos também impedidos de criticar outras práticas menos benignas. Suponha-se que uma sociedade declarava guerra aos seus vizinhos com o intuito de os fazer escravos. Ou suponha que uma sociedade era violentamente má anti-semita e os seus líderes se propunham destruir os judeus. O relativismo cultural iria impedir-nos de dizer que qualquer destas práticas estava errada. (Nem sequer poderíamos dizer que uma sociedade tolerante em relação aos judeus é melhor que uma sociedade anti – semita, por isso implicaria um tipo qualquer de padrão transcultural de comparação.) A incapacidade de condenar estas práticas não parece muito esclarecida; pelo contrário, e escravatura e a anti – semitismo afiguram-se erradas onde quer que ocorram. No entanto, se tomássemos a sério o relativismo cultural teríamos de encarar estas práticas sociais como algo imune à crítica.
2. Poderíamos decidir se as acções são certas ou erradas pela simples consulta dos padrões da nossa sociedade. O relativismo cultural propõe uma maneira simples para determinar o que está certo ou errado: tudo aquilo que de que necessitamos é perguntar se a acção está de acordo com os códigos da nossa sociedade. Suponhamos que em 1975 um residente da África do Sul se perguntava se a política de apartheid do seu país – um sistema rigidamente racista – era moralmente correcta. Tudo o que teria que fazer era perguntar se esta política se conformava com o código moral da sua sociedade. Em caso de resposta afirmativa, não haveria motivos de preocupação pelo menos de um ponto de vista moral.
Esta implicação do relativismo cultural é perturbadora porque poucos de nós pensam que o código moral da nossa sociedade é perfeito – não é difícil pensar em várias maneiras de as aperfeiçoar. No entanto, o relativismo cultural não se limita a impedir-nos de criticar os códigos das outras sociedades; não nos permite igualmente criticar a nossa. Afinal de contas, se certo e errado são relativos à cultura, isto tem de ser verdade tanto relativamente à nossa própria cultura como relativamente às outras." James Rachels, Elementos de Filosofia Moral


1. Porque motivo considera o autor do texto que o relativismo cultural não é moralmente possível?
2. Tendo presente o conceito de diálogo intercultural, explique porque motivos os raciocínios presente no texto, (entre as linhas 9 e 22) não podem ser moralmente sustentados.
3. Produza um texto onde discuta as relações existentes entre diversidade cultural e relativismo cultural.
4. Elabore um texto onde confronte os argumentos do relativismo cultural face ao etnocentrismo.
(Retirado do site Netprof)