terça-feira, 14 de outubro de 2008

A prática discursiva

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"O que é a Filosofia? Aconteceu propor a definição seguinte: a Filosofia é uma prática discursiva (faz-se, como dizia Epicuro através de discursos que tem a vida por objecto, a razão como meio, e a felicidade por fim"Luc Ferry, in Sabedoria dos Modernos.

1. Tendo presente o texto, caracterize a Filosofia.
(Retirado do site Netprof)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A historicidade da Filosofia

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"Todos os filósofos têm em si o erro comum de partir do homem actual e de atingir o objectivo através de uma análise do mesmo. Involuntariamente têm em mente o 'homem' como uma aeterna veritas [verdade eterna], como um invariante no meio da turbulência, como uma medida segura das coisas. Tudo o que o filósofo afirma do homem não passa, no fundo, de um testemunho sobre o homem de um período determinado. A carência de sentido histórico é o erro hereditário de todos os filósofos; muitos aceitam mesmo, inopinadamente, a mais recente configuração do homem, tal como ela surgiu sobre a pressão de determinadas religiões, e até de determinados acontecimentos políticos, como a forma sólida da qual se deve partir. Não querem aprender que o homem foi sujeito de evolução, que também a capacidade de conhecimento sofreu um desenvolvimento progressivo, enquanto que alguns deles tecem mesmo todo o mundo a partir destas capacidades cognoscitivas. Ora, o essencial da evolução humana ocorreu nas épocas primitivas, muito antes dos 4000 anos, que mais ou menos conhecemos; durante este tempo é possível que o homem não tenha mudado muito. Mas o filósofo descobre 'instintos' no homem actual e supõe que eles pertencem aos factos imutáveis do homem e podem, portanto, fornecer a chave para a compreensão do mundo em geral. (…) Mas tudo sofre um devir; não há factos eternos, da mesma forma que não há verdades absolutas. Por conseguinte, o filosofar histórico é necessário desde agora e, com ele, a virtude da humildade."
Nietzsche, Menschliches, p. 234.


1. Tendo presente a historicidade como uma característica inerente a toda reflexão filosófica, comente o seguinte extracto do texto: "Tudo o que o filósofo afirma do homem não passa, no fundo, de um testemunho sobre o homem de um período determinado. A carência de sentido histórico é o erro hereditário de todos os filósofos."


(Retirado do site Netprof)

A dúvida filosófica

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"Ignorar é não saber alguma coisa. A ignorância pode ser tão profunda que nem sequer a percebemos ou a sentimos, isto é, não sabemos que não sabemos, não sabemos que ignoramos. Em geral, o estado de ignorância mantêm-se em nós enquanto as crenças e opiniões que possuímos para viver e agir no mundo se conservam como eficazes e úteis de modo que não temos nenhum motivo para duvidar delas, nenhum motivo para desconfiar delas e, consequentemente, achamos que sabemos tudo o que há para saber.
A incerteza é diferente da ignorância porque, na incerteza, descobrimos que somos ignorantes, que as nossas crenças e opiniões parecem não dar conta da realidade, que há falhas naquilo em que acreditamos e que, durante muito tempo, nos serviu como referência para pensar e agir. Na incerteza não sabemos o que pensar, o que dizer ou o que fazer em certas situações ou diante de certas coisas, pessoas, factos, etc. Temos dúvidas, ficamos cheios de perplexidade e somos tomados em insegurança.
Outras vezes, estamos confiantes e seguros e, de repente, vemos ou ouvimos alguma coisa que nos enche de espanto e de admiração não sabemos o que pensar ou que fazer com a novidade do que vimos ou ouvimos porque as crenças, opiniões e ideias que possuímos não dão conta do novo. O espanto e a admiração, assim como antes a dúvida e a perplexidade, fazem-nos reconhecer a nossa ignorância e criam o desejo de superar a incerteza.
Quando isto acontece, estamos na disposição de espírito chamada busca da verdade.
O desejo da verdade aparece muito cedo nos seres humanos como desejo de confiar nas coisas e nas pessoas, isto é, de acreditar que as coisas são exactamente tais como as percebemos e o que as pessoas nos dizem é digno de confiança e crédito. Ao mesmo tempo, nossa vida quotidiana é feita de pequenas e grandes decepções e, por isso, desde cedo, vemos as crianças perguntarem aos adultos se tal coisa "é de verdade ou é a fingir" (…)
A criança sensível à mentira dos adultos, pois a mentira é diferente do "fingir", isto é, a mentira é diferente da imaginação e a criança sente-se ferida, magoada, angustiada quando um adulto lhe diz uma mentira, porque ao fazê-lo, quebra a relação de confiança e a segurança. (…) Assim, seja na criança, seja nos jovens ou nos adultos, a busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma perplexidade, a uma insegurança ou, então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo ou insólito. "
Marinela Chaui (adaptado)



Pistas para reflexão:
– Definir o conceito de ignorância tendo presente o modo como o mesmo é abordado no texto.
– Comentar os efeitos produzidos pela dúvida. Descortinar se a mesma desempenha um papel positivo ou negativo na procura do conhecimento.
– Descrever o tipo de conhecimento que o senso comum torna evidente. Comentar as suas insuficiências e limitações.
– De que é falamos, segundo o texto, quando queremos referir à "busca da verdade".


( Retirado do site Netprof)


sábado, 11 de outubro de 2008

Filosofia espontânea e filosofia sistemática


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"O que importa é incitar toda a gente a servir-se do seu raciocínio. Sempre que alguém procura forjar a sua própria opinião, incitá-lo a argumentar. É irrelevante, pois, saber se, ao agir desse modo, essa pessoa está, ou não, a filosofar.
Em contrapartida, o que me parece relevante é que esse exercício do espírito não se torne o domínio reservado de uns tantos privilegiados. Reservar a filosofia aos que se dizem filósofos seria tão ridículo como proibir de cozinhar o que não são cozinheiros profissionais.
Creio que todos os homens são filósofos, ainda que uns mais do que outros. (…)
Todos os homens são filósofos. Mesmo quando não têm consciência de terem problemas filosóficos, têm, em todo caso, preconceitos filosóficos. A maior parte destes preconceitos são as teorias que aceitam como evidentes: receberam-nas do seu meio intelectual ou por via da tradição.
Dado que só tomamos consciência de algumas dessas teorias, elas constituem preconceitos no sentido de que são defendidas sem qualquer verificação crítica, ainda que sejam de extrema importância para a acção prática e para a vida do homem.
Uma justificação para a existência da filosofia profissional ou académica é a necessidade de analisar e de testar criticamente estas teorias divulgadas e influentes."

Karl Popper, Em Busca de um Mundo Melhor



1. Qual é segundo Karl Popper, a principal exigência para a "filosofia profissional".


(Retirado do site Netprof)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O sentido crítico

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"Muitas vezes examinam crenças que quase toda a gente aceita acriticamente a maior parte do tempo. Ocupam-se de questões relacionadas com o que podemos chamar vagamente "o sentido da vida"; questões acerca da religião, do bem e do mal, da política, da natureza do mundo exterior, da mente, da ciência, da arte e de muitos outros assuntos. Por exemplo, muitas pessoas vivem as suas vidas sem questionarem as suas crenças fundamentais, tais como a crença de que não deve matar. Mas por que razão não se deve matar? Que justificação existe para dizer que não de deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra "dever" Estas são questões filosóficas. Ao examinarmos as nossas crenças, muitas delas revelam fundamentos firmes; mas algumas não. O estudo da filosofia não só nos ajuda a pensar claramente sobre os preconceitos, como ajuda a clarificar de forma precisa aquilo em que acreditamos. Ao longo desse processo desenvolve-se uma capacidade para argumentar de forma coerente sobre um vasto leque de temas - uma capacidade muito útil que pode ser aplicada em muitas áreas."
Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia

1. Partindo do texto, identifique os problemas sobre os quais a Filosofia deve reflectir.
2. Produza um texto, onde torne evidente o modo como a Filosofia deve actuar face a esses problemas.

(Retirado do site Netprof)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Filosofia versus Ciência

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"O núcleo da filosofia reside em certas questões que o espírito reflexivo humano acha naturalmente enigmáticas, e a melhor maneira de começar o estudo da filosofia é pensar directamente sobre elas. Uma vez feito isso, encontramo-nos numa posição melhor para apreciarmos o trabalho de outras pessoas que tentaram solucionar os mesmos problemas.
A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.
A preocupação fundamental da filosofia consiste em questionarmos e compreendermos ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensarmos nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: o que é o tempo? Um matemático pode investigar as relações entre os números, mas um filósofo perguntará: o que é um número? Um físico perguntará de que são constituídos os átomos ou o que explica a gravidade, mas um filósofo irá perguntar como podemos saber que existe qualquer coisa fora das nossas mentes. Um psicólogo pode investigar como é que as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: "Que faz uma palavra significar qualquer coisa?"Qualquer pessoa pode perguntar se entrar num cinema sem pagar está errado (mal), mas um filósofo perguntará: "O que torna uma acção certa ou errada (boa ou má)?""
T. Nagel, Que Quer Dizer Tudo Isto? Uma Iniciação à Filosofia, 1995

1. Explique por palavras suas, qual as principais diferenças entre a Filosofia e a Ciência.
2. Tendo o texto como referência, elucide como funciona o método da Filosofia.

(Retirado do site Netprof)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Para que serve filosofiar?



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Vivemos num mundo cada vez mais materialista e interrogamo-nos cada vez menos sobre questões essenciais. Acham que perdemos a capacidade de filosofar?


Pedro Amaral (PA): Eu acho que não. Primeiro, porque a capacidade individual que cada um tem de se questionar é intemporal. Depois, e ao contrário do que possa parecer, porque uma sociedade materialista incita à reflexão.
José Pedro Serra (JPS): Podemos colocar a pergunta num plano puramente sociológico e tentar saber até que ponto as condições concretas em que vivemos permitem, a cada um de nós, um pensamento efectivo, e não apenas o uso mecânico da razão. No entanto, antes desse plano sociológico, eu vejo a filosofia, não como uma capacidade, mas como uma fatalidade. Desde que o gregos inventaram "isso" da filosofia que ela corresponde a um modo de interrogação, que não depende de uma capacidade nossa, mas é herdeira de uma história que é a nossa história. A nossa história é filosófica e, nesse sentido, não há outra forma de estar senão dentro do trilho da filosofia. O que podemos, então, discutir é até que ponto as condições concretas do momento favorecem o exercício de um pensar. Não tenho dúvidas, qualquer que seja o juízo sobre a nossa civilização, que nascemos no poço de Tales de Mileto e que não é possível libertamo-nos dessa fatalidade. Perguntar "o que é" situa-nos no trilho da filosofia. Foi a filosofia que nos ensinou a perguntar "o que é". Os gregos diziam que esse momento radicava no espanto (...)
PA: Qual é exactamente e expressão do espanto de que falava há pouco?
JPS: É a pergunta. A pergunta nasce do espanto.
Mas o espanto pode dar-se a vários níveis... Pode ser um espanto perfeitamente comum.
JPS: Mas o que eu acho é que temos estado a dizer, que as pessoas não pensam, ou pensam pouco.
Não é bem que não pensam, é que não se questionam...
JPS: Sim, mas qual a diferença entre isso e os diálogos socráticos escritos cinco séculos antes de Cristo? Aquilo que Sócrates fazia na rua o que era senão pôr os outros a pensar? O que é a "Republica" de Platão senão a tentativa, em última análise, de conduzir aqueles não pensam? Não vejo grande diferença entre o que se passava ontem e o que se passa hoje. Isto é, o movimento que faz nascer esse pensar é um movimento de sofrimento, é um parto, um parto muito doloroso. Ontem, como hoje, o filósofo morreu. Quem ganhou foram os sofistas. Também aconteceu no tempo de Sócrates. A retórica política de que estamos a falar não é uma invenção do século XX, ou XXIPerdemos a capacidade de filosofar?



In Revista Pública, 07-10-2007





1. O que significa afirmar que a Filosofia corresponde a um "modo de interrogação"?
2. Explicite a importância do conceito de espanto para o exercício da actividade filosófica.
3. Considera que, tal como é referido no texto, o filósofo morreu na época contemporânea. Justifique a sua opinião.



(Ficha retirada do site Netprof)