quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A alegoria da Caverna - Platão

Imagem retirada dewww.inf.ufsc.br/.../tgs/trab_01/caverna1.jpg

"Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. As suas pernas e os seus pescoços estão acorrentados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo sítio e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo a que se possa, na semi-obscuridade, ver o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguido um muro, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetas. Ao longo desse muro/palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros vêem na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como nunca viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que vêem porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, pergunta Platão, se alguém libertasse um dos prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, o muro, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, por ele seguiria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira no mundo verdadeiro é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, veria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projectadas no fundo da caverna) e que somente agora está a contemplar a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros tentariam ridicularizá-lo, não acreditariam nas suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com os seus gracejos, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.
O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das ideias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A interrogação. O que é a visão do mundo real iluminado? A filosofia. Por que é que os prisioneiros ridicularizam, espancam e matam o filósofo (Platão está a referir-se à condenação de Sócrates à morte pela assembleia ateniense?)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro. "
Marilena Chaui

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Parabéns... uns atrasados, outros não!!!

Para os meninos e meninas que foram mais crescidinhos desde Setembro (Já sei que vão atrasados) e em especial para o J_UNIT que hoje é pequerrucho!!!! MUITOS PARABÉNS!!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Romeu e Julieta

Retirado da net

Leia o seguinte diálogo entre Romeu e Julieta.
ROMEU- Olá, Julieta! Tenho dois bilhetes para ir à tourada hoje à noite. Queres ir comigo?JULIETA- Nem pensar, Romeu! As touradas deviam ser proibidas.ROMEU- Porquê?JULIETA- Porque nas touradas fazem-se sofrer os animais de forma voluntária e gratuita.
ROMEU- E depois?ROMEU- Ora essa! Fazer sofrer os animais de forma voluntária e gratuita é errado.
JULIETA- Não achas que o sofrimento animal é um mal? Ou pensas, por acaso, que só os seres humanos têm direitos?
ROMEU- Para mim é muito claro que os animais não têm direitos, pois também não têm deveres.
Responda ao seguinte questionário:
1. Apresente o argumento utilizado pela Julieta no diálogo anterior, tornando explícita qualquer premissa suprimida.Premissa1.___________________________________________________________
Premissa 2 (se for o caso)___________________________________________________________________
Premissa suprimida ( se for o caso)___________________________________________________________________
Conclusão___________________________________________________________
2. Na sua última intervenção Romeu apresenta um argumento com uma premissa suprimida.Torne-a explicita______________________________________________________
3. Aceita o argumento Romeu? Porquê? ___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
4. Será que podemos concordar com a conclusão de um argumento válido e não concordar com as premissas? ______Porquê? ___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
5. " Se há mal no mundo; Deus existe: Ora Deus não existe. Logo há mal no mundo." É este um argumento válido? ______Porquê? ___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
6. " Uma coisa é arte se, e só se, for feita por seres humanos e for bela" É esta uma boa definição de arte? ______Porquê?


Ficha de avaliação elaborada por Aires de Almeida da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A Filosofia Prática



"(…) Tendemos a pensar enquanto vamos fazendo outras coisas.
A experiência é uma grande mestra, mas nem por isso deixamos de ter raciocinar acerca das nossas experiências. Para encontramos o nosso caminho na vida precisamos de ser críticos, de verificar os padrões e de os enquadrar num quadro geral de vivência. (…)
Apesar da sua reputação actual, a filosofia não tem de ser intimidativa, maçadora ou incompreensível. Muitas das obras escritas sobre o assunto ao longo dos anos podem certamente ser incluídas em uma das três categorias mas, no fundo, tratam de todas as perguntas que temos de fazer: O que é uma boa vida? O que é o bem? Qual é o sentido da vida? Porque é que eu existo? Porque é que eu devo fazer o que está certo? E o que é isso, o que está certo? Não são perguntas simples e não é fácil dar-lhes respostas, pois, se fosse, não continuaríamos a meditar sobre elas. Não existem duas pessoas capazes de chegar automaticamente à mesma conclusão. Todos nós dispomos de um sistema de princípios que nos conduz, mesmo que não tenhamos consciência de que ele existe ou não sejamos capaz de dizer em que consiste.
Mas existe algo de maravilhoso, o facto de termos à disposição milhares de anos pensamento, de os maiores cérebros da História se terem dedicado a estes assuntos e terem deixado ideias e orientações para nosso uso. Mas a Filosofia também é pessoal, também somos analistas de nós próprios. Podemos aproveitar tudo o que de outras fontes, mas, para chegarmos a uma forma de lidar com o mundo que nos seja conveniente, temos que pensar pela nossa própria cabeça. A boa notícia é que, com o estímulo adequado, cada um de nós pode, efectivamente, pensar por si próprio."Lou Marinoff, Mais Platão, Menos Prozac


1. Num comentário individual, discuta o modo como a filosofia pode orientar o homem na sua vida quotidiana.
2. Transcreva alguns dos temas, que segundo o texto, podem ser alvo de uma reflexão filosófica.
3. Esclareça porque motivo, a Filosofia nos ajuda a pensar de um modo autónomo.


(Retirado do site Netprof)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A prática discursiva

Imagem retirada de net

"O que é a Filosofia? Aconteceu propor a definição seguinte: a Filosofia é uma prática discursiva (faz-se, como dizia Epicuro através de discursos que tem a vida por objecto, a razão como meio, e a felicidade por fim"Luc Ferry, in Sabedoria dos Modernos.

1. Tendo presente o texto, caracterize a Filosofia.
(Retirado do site Netprof)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A historicidade da Filosofia

Imagem retirada da net



"Todos os filósofos têm em si o erro comum de partir do homem actual e de atingir o objectivo através de uma análise do mesmo. Involuntariamente têm em mente o 'homem' como uma aeterna veritas [verdade eterna], como um invariante no meio da turbulência, como uma medida segura das coisas. Tudo o que o filósofo afirma do homem não passa, no fundo, de um testemunho sobre o homem de um período determinado. A carência de sentido histórico é o erro hereditário de todos os filósofos; muitos aceitam mesmo, inopinadamente, a mais recente configuração do homem, tal como ela surgiu sobre a pressão de determinadas religiões, e até de determinados acontecimentos políticos, como a forma sólida da qual se deve partir. Não querem aprender que o homem foi sujeito de evolução, que também a capacidade de conhecimento sofreu um desenvolvimento progressivo, enquanto que alguns deles tecem mesmo todo o mundo a partir destas capacidades cognoscitivas. Ora, o essencial da evolução humana ocorreu nas épocas primitivas, muito antes dos 4000 anos, que mais ou menos conhecemos; durante este tempo é possível que o homem não tenha mudado muito. Mas o filósofo descobre 'instintos' no homem actual e supõe que eles pertencem aos factos imutáveis do homem e podem, portanto, fornecer a chave para a compreensão do mundo em geral. (…) Mas tudo sofre um devir; não há factos eternos, da mesma forma que não há verdades absolutas. Por conseguinte, o filosofar histórico é necessário desde agora e, com ele, a virtude da humildade."
Nietzsche, Menschliches, p. 234.


1. Tendo presente a historicidade como uma característica inerente a toda reflexão filosófica, comente o seguinte extracto do texto: "Tudo o que o filósofo afirma do homem não passa, no fundo, de um testemunho sobre o homem de um período determinado. A carência de sentido histórico é o erro hereditário de todos os filósofos."


(Retirado do site Netprof)

A dúvida filosófica

http://cosmobranche.free.fr/images/tree_brain.jpg



"Ignorar é não saber alguma coisa. A ignorância pode ser tão profunda que nem sequer a percebemos ou a sentimos, isto é, não sabemos que não sabemos, não sabemos que ignoramos. Em geral, o estado de ignorância mantêm-se em nós enquanto as crenças e opiniões que possuímos para viver e agir no mundo se conservam como eficazes e úteis de modo que não temos nenhum motivo para duvidar delas, nenhum motivo para desconfiar delas e, consequentemente, achamos que sabemos tudo o que há para saber.
A incerteza é diferente da ignorância porque, na incerteza, descobrimos que somos ignorantes, que as nossas crenças e opiniões parecem não dar conta da realidade, que há falhas naquilo em que acreditamos e que, durante muito tempo, nos serviu como referência para pensar e agir. Na incerteza não sabemos o que pensar, o que dizer ou o que fazer em certas situações ou diante de certas coisas, pessoas, factos, etc. Temos dúvidas, ficamos cheios de perplexidade e somos tomados em insegurança.
Outras vezes, estamos confiantes e seguros e, de repente, vemos ou ouvimos alguma coisa que nos enche de espanto e de admiração não sabemos o que pensar ou que fazer com a novidade do que vimos ou ouvimos porque as crenças, opiniões e ideias que possuímos não dão conta do novo. O espanto e a admiração, assim como antes a dúvida e a perplexidade, fazem-nos reconhecer a nossa ignorância e criam o desejo de superar a incerteza.
Quando isto acontece, estamos na disposição de espírito chamada busca da verdade.
O desejo da verdade aparece muito cedo nos seres humanos como desejo de confiar nas coisas e nas pessoas, isto é, de acreditar que as coisas são exactamente tais como as percebemos e o que as pessoas nos dizem é digno de confiança e crédito. Ao mesmo tempo, nossa vida quotidiana é feita de pequenas e grandes decepções e, por isso, desde cedo, vemos as crianças perguntarem aos adultos se tal coisa "é de verdade ou é a fingir" (…)
A criança sensível à mentira dos adultos, pois a mentira é diferente do "fingir", isto é, a mentira é diferente da imaginação e a criança sente-se ferida, magoada, angustiada quando um adulto lhe diz uma mentira, porque ao fazê-lo, quebra a relação de confiança e a segurança. (…) Assim, seja na criança, seja nos jovens ou nos adultos, a busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma perplexidade, a uma insegurança ou, então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo ou insólito. "
Marinela Chaui (adaptado)



Pistas para reflexão:
– Definir o conceito de ignorância tendo presente o modo como o mesmo é abordado no texto.
– Comentar os efeitos produzidos pela dúvida. Descortinar se a mesma desempenha um papel positivo ou negativo na procura do conhecimento.
– Descrever o tipo de conhecimento que o senso comum torna evidente. Comentar as suas insuficiências e limitações.
– De que é falamos, segundo o texto, quando queremos referir à "busca da verdade".


( Retirado do site Netprof)