sábado, 29 de novembro de 2008

Ficha de revisões

Imagem retirada da net



1. Estabeleça a relação entre acção. agir e fazer.

2. Determine o que distingue um acto humano de um acto do homem; um acto voluntário de um acto involuntário; um acto consciente de uma cto inconsciente.

3. Evidencie os vários momentos do acto voluntário.

4. Explicite as condicionantes da acção humana.

5. Relacione liberdade, determinismo e responsabilidade.

6. Reflicta sobre a pertinência do compatibilismo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Compatibilismo

Imagem retirada de http://www.english.ufl.edu/

A posição de que não há verdadeiramente conflito entre determinismo e livre-arbítrio — que o livre-arbítrio e o determinismo são compatíveis — é conhecida como compatibilismo.
O compatibilismo foi defendido por alguns filósofos antigos e talvez também por Aristóteles, segundo alguns investigadores, mas popularizou-se durante o século XVII. Filósofos influentes da idade moderna como Thomas Hobbes, John Locke, David Hume e John Stuart Mill foram compatibilistas. Encaravam o compatibilismo como a via de reconciliação entre a experiência vulgar da liberdade e a visão científica do universo e dos seres humanos. O compatibilismo continua popular entre os filósofos e cientistas actuais por razões parecidas. Se os compatibilistas estão certos, podemos ser livres e determinados, e não precisamos de nos preocupar com a possibilidade de a ciência futura vir a destruir a nossa convicção comum de que somos agentes livres e responsáveis.

Assim, compatibilismo ou determinismo moderado, aceita o determinismo no mundo natural, mas defende que existe um espaço para a liberdade e para a responsabilidades humanas. Mesmo que as nossas acções sejam causadas, podemos sempre agir de outro modo, se assim o escolhermos. Isto é suficiente para podermos ser responsabilizados e/ou culpabilizados por uma acção inaceitável. Nesta perspectiva, considera-se , por exemplo, que quando uma pessoa decide levantar o braço para acenar a alguém conhecido, esse levantar do braço é totalmente determinado por causas neurofisiológicas; ou seja, existem causas e mecanismos nervosos que determinam o levantar do braço. Todavia, o indivíduo não foi forçado a levantá-lo, isto é, era também possível não levantar o braço.

A Liberdade em Sartre

Foto retirada de http://www-1.unipv.it/deontica/Gallpics/classici/Sartre.jpg


Quando falamos em que a existência precede a essência falamos essencialmente do existencialismo, pois este afirma o primado da existência sobre a essência, segundo a célebre definição do filósofo francês Jean-Paul Sartre: "A existência precede e governa a essência." Essa definição funda a liberdade e a responsabilidade do homem, visto que esse existe sem que seu ser seja pré-definido. Durante a existência, à medida que experimenta-se novas vivências redefine-se o próprio pensamento (a sede intelectual, tida como a alma para os clássicos), adquirindo-se novos conhecimentos a respeito da própria essência, caracterizando-a sucessivamente. Esta característica do ser é fruto da liberdade de eleição.
É evidente que a liberdade não se refere tanto aos actos e às volições particulares como ao projecto fundamental em que eles se encontram compreendidos, o qual constitui a possibilidade última da realidade humana, a sua escolha originária. O projecto fundamental deixa sem dúvida uma certa margem de contingência às volições e aos actos particulares, mas a liberdade originária é aquela que é inerente à escolha do próprio projecto. E é uma liberdade incondicionada. A modificação do projecto inicial é a todo momento possível. A angústia que, quando revelada, manifesta à nossa consciência a nossa liberdade, testemunha a modificabilidade perpétua do nosso projecto inicial.
Para Sartre a vida da é desprovida de sentido; nenhum objectivo consegue mais orientá-lo; ele existe como uma coisa, como todas as coisas que emergem, na experiência da náusea, na sua gratuidade e no seu absurdo: um sujeito sem sentido vê que não há sentido em todas as coisas e passam a faltar instruções para o seu uso. Tudo é gratuito, e quando acontece de nos darmos conta disso, revolta-nos o estômago e tudo se põe a flutuar, eis a Náusea.
Se a experiência da náusea revela a gratuidade das coisas e do homem reduzido a coisa e submerso nas coisas, a análise desenvolvida em O Ser e o Nada revela, antes de mais nada, que a consciência é em primeiro lugar consciência de alguma coisa e de qualquer coisa que não é consciência. Sartre chama a este qualquer coisa de ser-em-si. O ser-em-si só pode descrever-se analiticamente como "o ser que é aquilo que é " expressão que torna clara a sua opacidade, o seu carácter maciço e estático devido ao qual não é nem possível nem necessário, é simplesmente. Relativamente ao ser-em -si a consciência é o ser-para-si, isto é, presença a si mesma. A presença a si mesma implica sua cisão, uma separação interior no ser da consciência. Uma crença, por exemplo, é como tal, sempre consciência da crença; mas, para a atingir como crença, é preciso de qualquer modo fixá-la como crença, separá-la da consciência, a que é presente. Separá-la através do Nada. Nada existe e pode existir a separar o sujeito de si mesmo. A distância ideal, o lapso de tempo, a diferença psicológica implicam certamente, como tais, elementos de positividade; mas a sua função é sempre negativa. O nada que surge no coração da consciência não é, mas sim foi. A consciência está no mundo, no ser-em-si, mas é radicalmente diferente do mundo, não está ligada ao mundo. A consciência, que vem a ser a existência, isto é, o homem, é portanto, absolutamente livre. O ser-em-si é o ser que é o que é; a consciência não é objecto. O ser pleno e completo; a consciência é vazia de ser, é possibilidade, e a possibilidade não é realidade. A consciência é liberdade.
A liberdade, segundo Sartre, é a possibilidade permanente daquela ruptura ou nulificação do mundo que é a própria estrutura da existência. "Eu estou condenado, a existir para sempre para além da minha essência, para além dos móbiles ou moventes e dos motivos do meu ato: eu estou condenado a ser livre. " Isto significa que não se pode encontrar para a minha liberdade outros limites além da própria liberdade: ou, se se preferir, que não somos livres de deixar de ser livres. A liberdade não é o arbítrio ou o capricho momentâneo do indivíduo: radica na mais íntima estrutura da existência, é a própria existência. Um existente que, como consciência, está necessariamente separado de todos os outros, já que esses se encontram em relação com ele apenas na medida em que existem para ele, um existente que decide do seu passado, sob forma de tradição, à luz do seu futuro, em vez de deixá-lo pura e simplesmente determinar o seu presente, um existente que se perspectiva através de algo distinto de si, isto é, de um fim que não é e que ele projecta no outro lado do mundo, eis aquilo a que chamamos um existente livre. Nós estamos perpetuamente ameaçados de nulificação da nossa escolha actual, perpetuamente ameaçados de escolhermos ser, e portanto tornarmo-nos, diferentes do que somos. A nossa escolha é frágil pelo simples facto de ser absoluta: assentando sobre a escolha a nossa liberdade, colocamos simultaneamente a sua perpétua possibilidade de tornar-se um aquém ultrapassado pelo além que eu serei. Certamente, a liberdade do projecto inicial não é a possibilidade de fugir ao mundo e anular o próprio mundo. Se a liberdade significa fugir ao dado ou ao facto, ela é o facto de o fugir ao facto. A liberdade permanece nos limites da factualidade, isto é, do mundo. Mas esta factualidade é indeterminada: a liberdade põe o mundo em ser com a sua escolha. Por isso o homem é responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto maneira de ser. Tudo o que acontece no mundo reporta-se à liberdade e à responsabilidade da escolha originária; por isso, nada daquilo que acontece ao homem pode ser dito inumano. As mais atrozes situações da guerra, as piores torturas não criam de facto um estado de coisas inumano. Não existe aí uma situação inumana: somente pelo medo, pela fuga ou pelo recurso a comportamento mágicos, decidiremos sobre aquilo que é inumano; mas esta decisão é humana e dela terei inteira responsabilidade. Sou eu que decido sobre a adversidade das coisas e até da sua imprevisibilidade decidindo de mim própria. Não existem casos acidentais: um acontecimento social que ocorre subitamente e me arrasta não é exterior a mim; se sou mobilizada para uma greve, esta é a minha greve, a minha própria imagem, e eu mereço-a. Mereço-a por que a escolhi, trata-se sempre de uma escolha.
É o homem, que se escolhe: a sua liberdade é incondicional e ele pode mudar seu projecto original ou inicial a qualquer momento. E, assim como a náusea constitui aquela experiência metafísica que revela a gratuidade e o absurdo das coisas, da mesma forma a angústia, como já dissemos, é a experiência metafísica do nada, isto é, da liberdade incondicional. Com efeito, o homem e só o homem é o ser para o qual todos os valores existem.
As coisas do mundo são gratuitas e um valor não é superior a outro. As coisas são desprovidas de sentido e fundamento e as acções dos homens são desprovidas de valor. Em suma, a vida é uma aventura absurda, onde o homem se projecta continuamente além de si mesmo, como para tornar-se deus. Escreve Sartre: "o homem é o ser que projecta ser Deus, mas, na realidade, ele se mostra como aquilo que é, uma paixão inútil " .O homem é fundamentalmente desejo de ser Deus. Deus não é senão este desejo mal sucedido. O ser-em-si do mundo e o ser-para-si da consciência se encontram num estado de perpétua ruptura com relação a uma síntese ideal que jamais existiu, mas que é sempre indicada, embora sempre impossível.
A liberdade consiste na escolha do próprio ser. E essa escolha é absurda. Assim o existencialismo sartreano afirmava a realidade dos homens, através da consciência como liberdade.

Impossibilidade da responsabilidade moral



O filósofo Galen Strawson argumenta contra a possibilidade da responsabilidade moral da seguinte maneira:
Nenhum indivíduo pode ser causa de si mesmo.
Para ser verdadeiramente responsável pelas suas próprias acções, o indivíduo teria que ser causa de si mesmo ao menos em certos aspectos mentais cruciais.
Logo nenhum indivíduo pode ser moralmente responsável.
O raciocínio de G. Strawson vai na seguinte direcção. Ao menos algumas acções de um indivíduo moralmente responsável devem ser livres, isto é, devem ser acções que o individuo pode escolher se realiza ou não. Tais acções livres devem ser racionais, isto é, realizadas por certas razões, mesmo que não seja por boas razões. Ora, quando alguém age segundo razões, o faz por causa das próprias disposições mentais. Assim, se o indivíduo pode de fato optar por realizar uma acção, então ele pode optar por estar em um estado mental (fruto de uma disposição mental) ou não. Mas para optar por estar em certo estado mental, o indivíduo deve ter escolhido estar em tal estado mental por alguma razão distinta da primeira razão. Todavia, para isso essa segunda razão deve ser fruto de escolha livre, por uma terceira razão, e assim vai, ao infinito. Em resumo, o indivíduo precisaria realizar uma série infinita de escolhas livres para estar livremente em certo estado mental. Se realizasse tal regressão ao infinito, o indivíduo seria causa sui, causa de si mesmo. Mas isso é impossível. Logo, a responsabilidade moral é impossível.

Argumento da falta de escolha
Digamos que o indivíduo realiza uma acção (A) por alguma razão (R). A partir desses elementos podemos formular uma argumento que ilustra a falta de liberdade de escolha do indivíduo na realização da acção:
A razão (R) para fazer a acção (A) se apresenta ao indivíduo, e ele não tem escolha quanto a tal apresentação.
Se a razão (R) para fazer (A) se apresentou ao indivíduo, e ele não tem escolha quanto à apresentação de (R), então ele faz a acção (A).
Logo, (A) ocorre, e o indivíduo não tem escolha quanto à ocorrência de (A).
Alguns libertistas rejeitam a premissa (2), alegando que o indivíduo tem escolha para realizar ou não (A), quando (R) se apresenta. Mas não explicam como isso ocorre. Suas explicações são obscuras, pois apelam ao mistério do livre-arbítrio, e por isso pouco cabíveis em filosofia.
Explicações libertistas mais detalhadas dizem que, ante (R), o indivíduo pode ou não realizar (A) porque está em seu poder tomar ou não (R) em consideração. Tendo tal poder, o indivíduo não é causalmente determinado a realizar (A). O problema de tal explicação é que ela transforma a realização de uma acção a partir de uma razão uma questão de sorte, e, sendo assim, não há como falarmos em responsabilidade moral, pois a sorte não é um fundamento apropriado para a mesma. O indivíduo precisa ter um controle sobre suas acções mais adequado, caso queiramos considerá-lo moralmente responsável pelos seus actos.

(Retirado da Wikipédia)

Resumo da Liberdade, Responsabilidade, Determinismo

Imagem retirada de http://img.photobucket.com/albums/v642/Seven2005/diversos8/liberdade640.jpg

Consulta antes os apontamentos dados pelo professor acerca das Condicionantes da acção Humana.
A grandeza do homem está naquilo que o homem pode chegar com a sua liberdade e actuação, partindo das suas limitações, quer sejam elas físicas ou não.

Podemos considerar a liberdade como a capacidade que o homem tem de tomar as suas decisões de forma racional acerca dos actos que quer praticar e ser capaz de executá-los de forma autónoma sem obedecer a qualque coacção exterior.

Nós, enquanto seres humanos somos livres na realidade; podemos não poder escolher o ano, o século, a sociedade ou a cultura em que vivemos, mas podemos a partir do que nos é dado, construirmo-nos a nós próprios, determinar a nossa personalidade, fazer as nossas escolhas e opções.

As opções que fazemos em função dos valores que possuímos e que julgamos mais importantes vão moldando a nossa personalidade, de forma que aquilo que somos vai dependendo das escolhas que fazemos.

Por outro lado, o homem dispõe de diversas possibilidades de acção que vão atestando o seu exercício de liberdade.

Cada ser humano dispõe de várias hipóteses para pode exercer a sua autonomia.

Determinismo, Liberdade e Responsabilidade



Quando falamos na acção humana, existe uma questão que nos colocamos: será que as nossas acções já se encontram "pré-determinadas" ou nós somos totalmente autónomos e livres nos nossos actos?

A nível filosófico, encontrámos duas posições opostas: uma que defende que a vida humana e as suas acções como algo já determinado; outra, que diz que o homem é totalmente livre nas suas atitudes.

Para a primeira posição, a determinista, o homem não é livre visto existirem diversos factores que determinam a sua conduta, a sua forma de ser e estar no mundo. Segundo esta perspectiva, o homem é apenas uma marioneta no teatro da vida que é manupulado segundo as determinações de forças exteriores que podem ser físicas, biológicas, psicológicas, sociológicas a até religiosas. Neste sentido, fala-se num destino, na sorte do ser humano, em que não tem vontade própria, não sendo assim dono e autor dos seus actos. Ora, segundo esta teses, se o homem não é o verdadeiro autor dos seus actos, logo não é responsável pelos mesmos.

Para a segunda opção, a que defende a liberdade da acção humana existem diversas teses. Ao falarmos de liberdade, a primeira ideia que nos ocorre é que a "pessoa livre" é aquela que não tem qualquer constrangimentos, faz aquilo que quer e lhe apetece sem prestar contas a ninguém. Neste sentido, a pessoa não é livre, é "libertina". Como numa sociedade em que os seus elementos façam aquilo que querem é uma sociedade sem regras, sem princípios. Como nos diz Sartre," a minha liberdade termina quando a do outro se inicia (...)", isto é, nós, enquanto seres humanos, apesar de sermos condicionados na nossa acção por diversos factores, quer sejam de ordem biológica ou social; temos sempre a possibilidade de escolha, podemos optar entre duas coisas, dois caminhos. É neste factor que se assenta o "livre arbítrio" ou a vontade livre, o homem tem e pode escolher, pode praticar os actos ou uma acção voluntariamente, tendo porém a consciência que está inserido numa sociedade que tem regras e há que cumpri-las no perímetro da sua liberdade. Por outro lado, nós somos livres na medida em que a nossa liberdade de acção não põe em causa a liberdade, os princípios básicos da convivência com os outros homens. A liberdade assenta também no respeito mútuo.

Outro conceito que está interligado ou relacionado com a questão da liberdade é a responsabilidade. Só uma pessoa que é livre é que pode ser responsável pelos seus actos. Ou seja, se eu ajo livremente, pondero a minha acção voluntariamente medindo os prós e os contra ... eu sou responsável, acarreto as consequências da decisão que tomei.

Mas, se por outro lado, sou coagida por alguém ou por forças exteriores a praticar uma cção menos boa, será que sou responsável?

É óbvio que podemos afirmar que apesar de estarmos, por exemplo, sob ameaça de morte podemos não executar essas acção pois somos livres de o fazer ou não.Mas quando falámos de integridade física de alguém ou do valor da vida, é sempre complicado.

Podemos também questionar se uma pessoa sofre de problemas psíquicos ou psiquiátricos é livre ou não nas suas acções.

Esta é uma questão controversa e cabe a nós encontrarmos a nossa resposta.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Determinismo, liberdade



A acção considerada correcta costuma ser considerada como o resultado da escolha do certo em detrimento do errado. A possibilidade de tal escolha costuma ser tratada como a condição para a responsabilização do agente. É porque está aberto a uma ou outra escolha/acção que o indivíduo é considerado responsável pelo que escolhe ou faz.
Levando em conta as disposições de um indivíduo a raciocinar, seu conjunto de crenças e suas acções, sua abertura pode ser caracterizada da seguinte maneira:
Dadas suas crenças actuais, ele poderia ter agido de outra forma.
Dadas suas disposições cognitivas actuais, ele poderia ter formado outro conjunto de crenças;
Dadas suas disposições cognitivas actuais, ele poderia ter raciocinado de outra forma;
Ele poderia estar disposto a raciocinar de maneira diferente da actual.
De acordo com o indivíduo é moralmente responsável porque suas acções não são determinadas pelas suas crenças actuais. Dado seu conjunto actual de crenças, ele ainda assim está aberto a mais de uma linha de acção. De acordo com o indivíduo é moralmente responsável por suas crenças porque dadas suas disposições cognitivas actuais, ainda assim ele está aberto a formar outro conjunto de crenças. De acordo com o indivíduo é moralmente responsável por seus raciocínios, pois dadas suas disposições cognitivas actuais ele ainda está aberto a outros raciocínios. De acordo com ,o indivíduo está aberto a outra disposição cognitiva distinta da sua disposição actual.

(Retirado da WIKIPÉDIA)