sábado, 10 de janeiro de 2009

Ética e política(1)

http://olhares.aeiou.pt

"Não se pode nem separar nem confundir ética e política. As grandes éticas precisam, maior parte das vezes, de uma estratégia, ou seja, de uma política; e a política precisa de um mínimo de meios e de finalidades éticas, sem por isso se reduzir à ética.
Só pode colocar-se a relação entre ética e política em termos complementares, concorrentes e antagónicos. O antagonismo clássico entre a ética e a política assumiu contornos de uma oposição absoluta, como a existente entre Antígona e Creonte. Ressuscitou no cerne do seu próprio radicalismo, no âmago do totalitarismo do século XX, em que os jovens Scholl· isolados na Alemanha nazi triunfante, se lançaram na resistência, e em que Soljenitsine e, depois Sakarov, desafiaram o gigantesco poder soviético em nome dos valores morais achincalhados. O divórcio reapareceu no século XXI: intervenções, ocupações, repressões, destroem as escassas regras criadas para civilizar as guerras: o regresso da tortura é o indicador inequívoco de uma regressão bárbara no coração da civilização.
O antagonismo ética/política pode conduzir a diversos compromissos, nos quais a ética procura, quer jogar com a força, quer utilizá-la para os seus fins. Neste caso a ética é remetida para a escolha, para a aposta, para a estratégia.
Não podemos resignar-nos a dissolver a ética na política, que se torna então puro cinismo, não podemos sonhar com uma política que fosse unicamente escrava da ética. A complementaridade dialógica entre ética e política implica a dificuldade, a incerteza e, por vezes, a contradição. Quanto mais a política se exerce nas complexidades das sociedades, tanto mais são os imperativos éticos das liberdades, dos direitos; quanto mais degradadas são as solidariedades e as comunidades, tanto mais estas são necessárias. Neste sentido, uma política de complexidade traz em si uma aporia permanente."
Edgar Morin, O Método VI, Publicações Europa América. pp. 81 e 82.

1. Produza um texto onde reflicta sobre a necessidade de uma relação complementar entre ética e política.
(Retirado do site Netprof)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Juízos de facto e juízos de valor


A) Dos juízos que se seguem identifique os que são juízos de valor e os que são juízos de facto:
a) A pena de morte é uma prática criminosa.
b) Alguns estados dos Estados Unidos praticam a pena de morte.
c) No Ruanda a situação das vidas humanas é deplorável.
d) O PIB em Portugal está abaixo da média europeia.
e) Van Gogh é considerado um dos grandes expoentes do expressionismo estético.
f) Os quadros de Van – Gogh são extremamente expressivos.


B) "As coisas boas e más, melhores e piores, atractivas e repelentes, e nós, ao preferirmos uma às outras, percebemos essa bondade ou maldade e atrás delas nos lançamos. Achamos prazer? Bem está. Achamos dor? Sofremo-la de melhor ou pior talante. (...)
Esta faculdade de preferir, ou seja, a de perceber em todas as coisas um nimbo que as qualifica de boas, más, melhores piores, atractivas, repelentes, é quiçá, uma função universal de todo o ser vivo. (...)
O homem (...) percebe em torno de si um sem - número de coisas boas e más, um sem número de objectos belos e feios, grandiosos e mesquinhos, nobres e vulgares. O nosso mundo não consta apenas, nem principalmente, de coisas, mas dessas atracções e repulsos que; à nossa volta, não param de afectar o nosso espírito. O mundo real e concreto, o mundo em que efectivamente vivemos, não é o que a física, a química, a matemática nos descrevem, mas um imenso arsenal de bens e de males, como os quais edificamos a vida."
Manuel Garcia Morente, Ensaios sobre o progresso


1. Partindo do texto distinga juízo de facto de juízo de valor.
2. Relacione o " mundo real e concreto" com esse " imenso arsenal de bens e de males, com os quais edificamos a vida."

(Retirado do site Netprof)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Os valores

1) "Os valores não constituem um mundo de objectos que exista independentemente do mundo dos objectos reais, só se dão na realidade – natural e humana – como propriedades valiosas dos objectos desta realidade. Os valores requerem, por conseguinte – como condição necessária – a existência de certas propriedades que consideramos valiosas. Porém, as propriedades reais que sustentam o valor, e sem as quais este não se daria, só são valiosas potencialmente. Para se actualizarem e se converterem em propriedades valiosas efectivas, é indispensável que o objecto se encontre em relação com o homem social, com os seus interesses e necessidades. "
A. Sanchez

Tendo o texto como referência discuta a subjectividade/objectividade dos valores.



2) "Todo o valor é inseparável de uma actividade de selecção que, mesmo que ela só tenha sentido para nós, opera distinções entre diferentes formas do real segundo o seu grau de afinidade ou parentesco connosco. Só há valor onde a parcialidade se começa a introduzir no real. O valor é um partido assumido."
L. Lavelle


Comente o seguinte extracto do texto: "Só há valor onde a parcialidade se começa a introduzir no real. O valor é um partido assumido."



3) "Os valores não constituem um mundo de objectos que exista independentemente do mundo dos objectos reais, só se dão na realidade - natural e humana - como propriedades valiosas dos objectos desta realidade. Os valores requerem, por conseguinte - como condição necessária - a existência de certas propriedades que consideramos valiosas. Porém, as propriedades reais que sustentam o valor, e sem as quais este não se daria, só são valiosas potencialmente. Para se actualizarem e se converterem em propriedades valiosas efectivas, é indispensável que o objecto se encontre em relação com o homem social, com os seus interesses e necessidades."
A. Sanchez


Tendo o texto como referência, discuta a questão da objectividade e subjectividade valores.




4) "Nem o objectivismo nem o subjectivismo conseguem explicar satisfatoriamente a maneira de ser dos valores. Estes não se reduzem às vivências do sujeito que avalia, nem existem em si como um mundo de objectos independentes cujo valor se determina exclusivamente pelas suas propriedades naturais objectivas. Os valores existem, para um sujeito, não no sentido de um mero indivíduo, mas de ser social; exigem também um suporte material, sensível (seja objecto, uma acção, um costume ou uma instituição) sem qual não tem sentido.
É o Homem – como ser histórico e social e com a sua actividade prática – que cria os valores e os bens nos quais se encarnam, independentemente dos quais só existem como projectos ou objectos ideais. Os valores são, pois, criações humanas, e só existem como projectos ou objectos ideais. Os valores são, pois, criações humanas, e só existem e se realizam no Homem e pelo Homem.
As coisas não são criadas pelo Homem (os seres da natureza) só adquirem um valor entrando numa relação especial com ele, integrando – se no seu mundo como coisas humanas ou humanizadas. As suas propriedades naturais, objectivas, só se tornam valiosas quando servem para fins ou necessidades dos homens e quando adquirem, portanto, o modo de ser peculiar de um objecto natural humano.
Os valores então, possuem uma objectividade especial que se distingue da objectividade meramente natural ou física dos objectos que existem ou podem existir independentemente do Homem, como anterioridade à – ou à margem da – sociedade (…) É uma objectividade especial - humana, social – que não de pode reduzir ao acto psíquico de um sujeito individual nem tão pouco ás propriedades naturais de um objecto real. Trata-se de uma objectividade que transcende o limite de um indivíduo ou de um grupo social determinado, mas que não ultrapassada o âmbito do Homem como ser histórico – social (…) Existem, assim, objectivamente, isto é, com uma objectividade histórico social. Os valores, por conseguinte, existem unicamente num mundo social, isto é, pelo Homem e para o Homem."
Adolfo Sanchez, Ética.


Tendo o texto como referência discuta a objectividade/subjectividade dos valores.



(Retirado do site Netprof)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Natal e um Bom Ano de 2009 ...

para vocês e para as vossas familias!


e


Boas Férias ....


Beijinhos!

sábado, 29 de novembro de 2008

Ficha de revisões

Imagem retirada da net



1. Estabeleça a relação entre acção. agir e fazer.

2. Determine o que distingue um acto humano de um acto do homem; um acto voluntário de um acto involuntário; um acto consciente de uma cto inconsciente.

3. Evidencie os vários momentos do acto voluntário.

4. Explicite as condicionantes da acção humana.

5. Relacione liberdade, determinismo e responsabilidade.

6. Reflicta sobre a pertinência do compatibilismo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Compatibilismo

Imagem retirada de http://www.english.ufl.edu/

A posição de que não há verdadeiramente conflito entre determinismo e livre-arbítrio — que o livre-arbítrio e o determinismo são compatíveis — é conhecida como compatibilismo.
O compatibilismo foi defendido por alguns filósofos antigos e talvez também por Aristóteles, segundo alguns investigadores, mas popularizou-se durante o século XVII. Filósofos influentes da idade moderna como Thomas Hobbes, John Locke, David Hume e John Stuart Mill foram compatibilistas. Encaravam o compatibilismo como a via de reconciliação entre a experiência vulgar da liberdade e a visão científica do universo e dos seres humanos. O compatibilismo continua popular entre os filósofos e cientistas actuais por razões parecidas. Se os compatibilistas estão certos, podemos ser livres e determinados, e não precisamos de nos preocupar com a possibilidade de a ciência futura vir a destruir a nossa convicção comum de que somos agentes livres e responsáveis.

Assim, compatibilismo ou determinismo moderado, aceita o determinismo no mundo natural, mas defende que existe um espaço para a liberdade e para a responsabilidades humanas. Mesmo que as nossas acções sejam causadas, podemos sempre agir de outro modo, se assim o escolhermos. Isto é suficiente para podermos ser responsabilizados e/ou culpabilizados por uma acção inaceitável. Nesta perspectiva, considera-se , por exemplo, que quando uma pessoa decide levantar o braço para acenar a alguém conhecido, esse levantar do braço é totalmente determinado por causas neurofisiológicas; ou seja, existem causas e mecanismos nervosos que determinam o levantar do braço. Todavia, o indivíduo não foi forçado a levantá-lo, isto é, era também possível não levantar o braço.

A Liberdade em Sartre

Foto retirada de http://www-1.unipv.it/deontica/Gallpics/classici/Sartre.jpg


Quando falamos em que a existência precede a essência falamos essencialmente do existencialismo, pois este afirma o primado da existência sobre a essência, segundo a célebre definição do filósofo francês Jean-Paul Sartre: "A existência precede e governa a essência." Essa definição funda a liberdade e a responsabilidade do homem, visto que esse existe sem que seu ser seja pré-definido. Durante a existência, à medida que experimenta-se novas vivências redefine-se o próprio pensamento (a sede intelectual, tida como a alma para os clássicos), adquirindo-se novos conhecimentos a respeito da própria essência, caracterizando-a sucessivamente. Esta característica do ser é fruto da liberdade de eleição.
É evidente que a liberdade não se refere tanto aos actos e às volições particulares como ao projecto fundamental em que eles se encontram compreendidos, o qual constitui a possibilidade última da realidade humana, a sua escolha originária. O projecto fundamental deixa sem dúvida uma certa margem de contingência às volições e aos actos particulares, mas a liberdade originária é aquela que é inerente à escolha do próprio projecto. E é uma liberdade incondicionada. A modificação do projecto inicial é a todo momento possível. A angústia que, quando revelada, manifesta à nossa consciência a nossa liberdade, testemunha a modificabilidade perpétua do nosso projecto inicial.
Para Sartre a vida da é desprovida de sentido; nenhum objectivo consegue mais orientá-lo; ele existe como uma coisa, como todas as coisas que emergem, na experiência da náusea, na sua gratuidade e no seu absurdo: um sujeito sem sentido vê que não há sentido em todas as coisas e passam a faltar instruções para o seu uso. Tudo é gratuito, e quando acontece de nos darmos conta disso, revolta-nos o estômago e tudo se põe a flutuar, eis a Náusea.
Se a experiência da náusea revela a gratuidade das coisas e do homem reduzido a coisa e submerso nas coisas, a análise desenvolvida em O Ser e o Nada revela, antes de mais nada, que a consciência é em primeiro lugar consciência de alguma coisa e de qualquer coisa que não é consciência. Sartre chama a este qualquer coisa de ser-em-si. O ser-em-si só pode descrever-se analiticamente como "o ser que é aquilo que é " expressão que torna clara a sua opacidade, o seu carácter maciço e estático devido ao qual não é nem possível nem necessário, é simplesmente. Relativamente ao ser-em -si a consciência é o ser-para-si, isto é, presença a si mesma. A presença a si mesma implica sua cisão, uma separação interior no ser da consciência. Uma crença, por exemplo, é como tal, sempre consciência da crença; mas, para a atingir como crença, é preciso de qualquer modo fixá-la como crença, separá-la da consciência, a que é presente. Separá-la através do Nada. Nada existe e pode existir a separar o sujeito de si mesmo. A distância ideal, o lapso de tempo, a diferença psicológica implicam certamente, como tais, elementos de positividade; mas a sua função é sempre negativa. O nada que surge no coração da consciência não é, mas sim foi. A consciência está no mundo, no ser-em-si, mas é radicalmente diferente do mundo, não está ligada ao mundo. A consciência, que vem a ser a existência, isto é, o homem, é portanto, absolutamente livre. O ser-em-si é o ser que é o que é; a consciência não é objecto. O ser pleno e completo; a consciência é vazia de ser, é possibilidade, e a possibilidade não é realidade. A consciência é liberdade.
A liberdade, segundo Sartre, é a possibilidade permanente daquela ruptura ou nulificação do mundo que é a própria estrutura da existência. "Eu estou condenado, a existir para sempre para além da minha essência, para além dos móbiles ou moventes e dos motivos do meu ato: eu estou condenado a ser livre. " Isto significa que não se pode encontrar para a minha liberdade outros limites além da própria liberdade: ou, se se preferir, que não somos livres de deixar de ser livres. A liberdade não é o arbítrio ou o capricho momentâneo do indivíduo: radica na mais íntima estrutura da existência, é a própria existência. Um existente que, como consciência, está necessariamente separado de todos os outros, já que esses se encontram em relação com ele apenas na medida em que existem para ele, um existente que decide do seu passado, sob forma de tradição, à luz do seu futuro, em vez de deixá-lo pura e simplesmente determinar o seu presente, um existente que se perspectiva através de algo distinto de si, isto é, de um fim que não é e que ele projecta no outro lado do mundo, eis aquilo a que chamamos um existente livre. Nós estamos perpetuamente ameaçados de nulificação da nossa escolha actual, perpetuamente ameaçados de escolhermos ser, e portanto tornarmo-nos, diferentes do que somos. A nossa escolha é frágil pelo simples facto de ser absoluta: assentando sobre a escolha a nossa liberdade, colocamos simultaneamente a sua perpétua possibilidade de tornar-se um aquém ultrapassado pelo além que eu serei. Certamente, a liberdade do projecto inicial não é a possibilidade de fugir ao mundo e anular o próprio mundo. Se a liberdade significa fugir ao dado ou ao facto, ela é o facto de o fugir ao facto. A liberdade permanece nos limites da factualidade, isto é, do mundo. Mas esta factualidade é indeterminada: a liberdade põe o mundo em ser com a sua escolha. Por isso o homem é responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto maneira de ser. Tudo o que acontece no mundo reporta-se à liberdade e à responsabilidade da escolha originária; por isso, nada daquilo que acontece ao homem pode ser dito inumano. As mais atrozes situações da guerra, as piores torturas não criam de facto um estado de coisas inumano. Não existe aí uma situação inumana: somente pelo medo, pela fuga ou pelo recurso a comportamento mágicos, decidiremos sobre aquilo que é inumano; mas esta decisão é humana e dela terei inteira responsabilidade. Sou eu que decido sobre a adversidade das coisas e até da sua imprevisibilidade decidindo de mim própria. Não existem casos acidentais: um acontecimento social que ocorre subitamente e me arrasta não é exterior a mim; se sou mobilizada para uma greve, esta é a minha greve, a minha própria imagem, e eu mereço-a. Mereço-a por que a escolhi, trata-se sempre de uma escolha.
É o homem, que se escolhe: a sua liberdade é incondicional e ele pode mudar seu projecto original ou inicial a qualquer momento. E, assim como a náusea constitui aquela experiência metafísica que revela a gratuidade e o absurdo das coisas, da mesma forma a angústia, como já dissemos, é a experiência metafísica do nada, isto é, da liberdade incondicional. Com efeito, o homem e só o homem é o ser para o qual todos os valores existem.
As coisas do mundo são gratuitas e um valor não é superior a outro. As coisas são desprovidas de sentido e fundamento e as acções dos homens são desprovidas de valor. Em suma, a vida é uma aventura absurda, onde o homem se projecta continuamente além de si mesmo, como para tornar-se deus. Escreve Sartre: "o homem é o ser que projecta ser Deus, mas, na realidade, ele se mostra como aquilo que é, uma paixão inútil " .O homem é fundamentalmente desejo de ser Deus. Deus não é senão este desejo mal sucedido. O ser-em-si do mundo e o ser-para-si da consciência se encontram num estado de perpétua ruptura com relação a uma síntese ideal que jamais existiu, mas que é sempre indicada, embora sempre impossível.
A liberdade consiste na escolha do próprio ser. E essa escolha é absurda. Assim o existencialismo sartreano afirmava a realidade dos homens, através da consciência como liberdade.