quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Valores e cultura

Imagem retirada de http://www.bombachalarga.com.br

"É verdade que, do ponto de vista cultural, os seres humanos conquistaram, pouco a pouco e com muitos esforços, aquilo que eles consideram – e que nós consideramos ainda – como valores. Os valores não caíram todos do céu; noutros termos, os homens não descobriram os valores a partir de uma evidência já dada., como se fosse necessário perscrutar o próprio coração ou olhar para dentro de si mesmo para compreender quais são os objectivos da acção que são valores autênticos. O que é evidente, por exemplo, é a procura espontânea dos bens que mantêm a nossa vida física.
Estes “valores básicos “ não precisam de reflexão para serem vividos; o que exigiu o pensamento foi a construção dos meios técnicos (instrumentos como o machado de pedra para matar os animais, as técnicas de construção para habitação, etc…) para os realizar. Mas o que exigiu ainda mais tempo de reflexão e mais actos concretos, o que exigiu, por assim dizer, uma longa vida feita de tentativas fracassadas ou coroadas de êxito é a descoberta dos valores a que chamamos superiores. Tais valores, que regulam a vida relacional entre seres humanos, pressupõem um longo percurso civilizacional, percurso de que se pode às vezes reconhecer os marcos. Os “ Direitos do Homem” foram, depois de 1789, proclamados solenemente em 1948, no termo de uma guerra mundial que fez mais de 50 milhões de mortos.
Ainda que muitos povos já aplicassem estes direitos antes da Declaração Universal, não se pode negar que 1948 constitui um ponto de referência “histórico” na descoberta dos valores de respeito pelo ser humano enquanto pessoa. Há, deste modo, valores cuja origem está ligada com determinada cultura; citemos por exemplo a hospitalidade para os antigos Gregos, a pessoa para o mundo cristão, a democracia em Atenas e, depois da Revolução Francesa, a igualdade entre raças com a abolição da escravatura e, em seguida, do apartheid, a liberdade dos povos de decidir o seu futuro, com a descolonização depois da Segunda Guerra Mundial. Quando se afirma que os valores são historicamente marcados diz-se que é possível determinar, com certa margem de imprecisão, o seu nascimento enquanto valores reconhecidos quer por um grupo, quer pela maior parte das pessoas, quer pelo acordo quase universal das nações.
Os valores são todos relativos à época e ao contexto da sua descoberta na história dos seres humanos. As formas que os valores assumem variam com o tempo. Quanto mais básicos são, mais variam as formas da sua vivência. Em sentido contrário, quanto mais elevados são os valores, mais estável é o seu núcleo intangível., de tal modo que, através das vicissitudes das suas formas de apresentação, eles se manifestam como valendo apenas para todos os seres humanos."
Michel Renaud, “ Viver a Cidadania” , Educar Hoje – Enciclopédia dos Pais.


1. Estabeleça a diferença entre os “ valores básicos” e os “ valores superiores”.
2. Os valores são todos relativos à época e ao contexto da sua descoberta na história dos seres humanos».Partindo deste extracto do texto, discuta a perenidade / historicidade dos valores humanos.Retirado do site Netprof.

Relativismo Cultural

http://olhares.aeiou.pt


"É uma verdade incontroversa que pessoas de sociedades diferentes têm costumes diferentes e diferentes ideias acerca do bem e do mal morais. Não há consenso mundial sobre a questão de saber que as acções são moralmente boas e moralmente más, apesar de existir uma convergência considerável sobre estas matérias. Se tivermos em consideração o quanto as ideias morais mudaram, quer de lugar para lugar, quer ao longo do tempo, pode ser tentador pensar que não existem factos morais absolutos e que, pelo contrário, a moral relativa à sociedade na qual fomos educados. Segundo esta perspectiva, uma vez que a escravatura era moralmente aceite para a maioria dos Gregos antigos, apesar de o não para a maioria dos Europeus de hoje em dia, a escravatura seria moralmente boa para os Gregos antigos, apesar de ser moralmente má para os Europeus contemporâneos. "Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, Gradiva


1. Identifique a tese filosófica sobre a moral presente no texto. Justifique a sua resposta.
2. Qual a tese filosófica que se lhe pode opor? Tendo presente a mesma problemática, elabore um texto onde conteste a concepção presente no texto.
(Retirado do site Netprof)

Relativismo cultural


"(…) William Graham Sumner resume a essência do relativismo cultural. Sumner afirma que não há uma medida do certo e do errado, além dos padrões de uma dada sociedade: "A noção de certo está nos hábitos da população. Não reside além deles, não provém de origem independente, para os por à prova. O que estiver nos hábitos populares, seja o que for, está certo". Suponha-se que tomávamos isto a sério. Quais seriam algumas das consequências?
1. Deixaríamos de poder afirmar que os costumes de outras sociedades são moralmente inferiores aos nossos. Isto, é claro, é um dos principais aspectos sublinhados pelo relativismo cultural. Teríamos de deixar de condenar outras sociedades simplesmente por serem "diferentes": Enquanto nos concentrarmos apenas em certos exemplos, como as práticas funerárias dos gregos e calatinos isto pode parecer uma atitude sofisticada e esclarecida.
No entanto seríamos também impedidos de criticar outras práticas menos benignas. Suponha-se que uma sociedade declarava guerra aos seus vizinhos com o intuito de os fazer escravos. Ou suponha que uma sociedade era violentamente má anti-semita e os seus líderes se propunham destruir os judeus. O relativismo cultural iria impedir-nos de dizer que qualquer destas práticas estava errada. (Nem sequer poderíamos dizer que uma sociedade tolerante em relação aos judeus é melhor que uma sociedade anti – semita, por isso implicaria um tipo qualquer de padrão transcultural de comparação.) A incapacidade de condenar estas práticas não parece muito esclarecida; pelo contrário, e escravatura e a anti – semitismo afiguram-se erradas onde quer que ocorram. No entanto, se tomássemos a sério o relativismo cultural teríamos de encarar estas práticas sociais como algo imune à crítica.
2. Poderíamos decidir se as acções são certas ou erradas pela simples consulta dos padrões da nossa sociedade. O relativismo cultural propõe uma maneira simples para determinar o que está certo ou errado: tudo aquilo que de que necessitamos é perguntar se a acção está de acordo com os códigos da nossa sociedade. Suponhamos que em 1975 um residente da África do Sul se perguntava se a política de apartheid do seu país – um sistema rigidamente racista – era moralmente correcta. Tudo o que teria que fazer era perguntar se esta política se conformava com o código moral da sua sociedade. Em caso de resposta afirmativa, não haveria motivos de preocupação pelo menos de um ponto de vista moral.
Esta implicação do relativismo cultural é perturbadora porque poucos de nós pensam que o código moral da nossa sociedade é perfeito – não é difícil pensar em várias maneiras de as aperfeiçoar. No entanto, o relativismo cultural não se limita a impedir-nos de criticar os códigos das outras sociedades; não nos permite igualmente criticar a nossa. Afinal de contas, se certo e errado são relativos à cultura, isto tem de ser verdade tanto relativamente à nossa própria cultura como relativamente às outras." James Rachels, Elementos de Filosofia Moral


1. Porque motivo considera o autor do texto que o relativismo cultural não é moralmente possível?
2. Tendo presente o conceito de diálogo intercultural, explique porque motivos os raciocínios presente no texto, (entre as linhas 9 e 22) não podem ser moralmente sustentados.
3. Produza um texto onde discuta as relações existentes entre diversidade cultural e relativismo cultural.
4. Elabore um texto onde confronte os argumentos do relativismo cultural face ao etnocentrismo.
(Retirado do site Netprof)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Ética e política(1)

http://olhares.aeiou.pt

"Não se pode nem separar nem confundir ética e política. As grandes éticas precisam, maior parte das vezes, de uma estratégia, ou seja, de uma política; e a política precisa de um mínimo de meios e de finalidades éticas, sem por isso se reduzir à ética.
Só pode colocar-se a relação entre ética e política em termos complementares, concorrentes e antagónicos. O antagonismo clássico entre a ética e a política assumiu contornos de uma oposição absoluta, como a existente entre Antígona e Creonte. Ressuscitou no cerne do seu próprio radicalismo, no âmago do totalitarismo do século XX, em que os jovens Scholl· isolados na Alemanha nazi triunfante, se lançaram na resistência, e em que Soljenitsine e, depois Sakarov, desafiaram o gigantesco poder soviético em nome dos valores morais achincalhados. O divórcio reapareceu no século XXI: intervenções, ocupações, repressões, destroem as escassas regras criadas para civilizar as guerras: o regresso da tortura é o indicador inequívoco de uma regressão bárbara no coração da civilização.
O antagonismo ética/política pode conduzir a diversos compromissos, nos quais a ética procura, quer jogar com a força, quer utilizá-la para os seus fins. Neste caso a ética é remetida para a escolha, para a aposta, para a estratégia.
Não podemos resignar-nos a dissolver a ética na política, que se torna então puro cinismo, não podemos sonhar com uma política que fosse unicamente escrava da ética. A complementaridade dialógica entre ética e política implica a dificuldade, a incerteza e, por vezes, a contradição. Quanto mais a política se exerce nas complexidades das sociedades, tanto mais são os imperativos éticos das liberdades, dos direitos; quanto mais degradadas são as solidariedades e as comunidades, tanto mais estas são necessárias. Neste sentido, uma política de complexidade traz em si uma aporia permanente."
Edgar Morin, O Método VI, Publicações Europa América. pp. 81 e 82.

1. Produza um texto onde reflicta sobre a necessidade de uma relação complementar entre ética e política.
(Retirado do site Netprof)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Juízos de facto e juízos de valor


A) Dos juízos que se seguem identifique os que são juízos de valor e os que são juízos de facto:
a) A pena de morte é uma prática criminosa.
b) Alguns estados dos Estados Unidos praticam a pena de morte.
c) No Ruanda a situação das vidas humanas é deplorável.
d) O PIB em Portugal está abaixo da média europeia.
e) Van Gogh é considerado um dos grandes expoentes do expressionismo estético.
f) Os quadros de Van – Gogh são extremamente expressivos.


B) "As coisas boas e más, melhores e piores, atractivas e repelentes, e nós, ao preferirmos uma às outras, percebemos essa bondade ou maldade e atrás delas nos lançamos. Achamos prazer? Bem está. Achamos dor? Sofremo-la de melhor ou pior talante. (...)
Esta faculdade de preferir, ou seja, a de perceber em todas as coisas um nimbo que as qualifica de boas, más, melhores piores, atractivas, repelentes, é quiçá, uma função universal de todo o ser vivo. (...)
O homem (...) percebe em torno de si um sem - número de coisas boas e más, um sem número de objectos belos e feios, grandiosos e mesquinhos, nobres e vulgares. O nosso mundo não consta apenas, nem principalmente, de coisas, mas dessas atracções e repulsos que; à nossa volta, não param de afectar o nosso espírito. O mundo real e concreto, o mundo em que efectivamente vivemos, não é o que a física, a química, a matemática nos descrevem, mas um imenso arsenal de bens e de males, como os quais edificamos a vida."
Manuel Garcia Morente, Ensaios sobre o progresso


1. Partindo do texto distinga juízo de facto de juízo de valor.
2. Relacione o " mundo real e concreto" com esse " imenso arsenal de bens e de males, com os quais edificamos a vida."

(Retirado do site Netprof)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Os valores

1) "Os valores não constituem um mundo de objectos que exista independentemente do mundo dos objectos reais, só se dão na realidade – natural e humana – como propriedades valiosas dos objectos desta realidade. Os valores requerem, por conseguinte – como condição necessária – a existência de certas propriedades que consideramos valiosas. Porém, as propriedades reais que sustentam o valor, e sem as quais este não se daria, só são valiosas potencialmente. Para se actualizarem e se converterem em propriedades valiosas efectivas, é indispensável que o objecto se encontre em relação com o homem social, com os seus interesses e necessidades. "
A. Sanchez

Tendo o texto como referência discuta a subjectividade/objectividade dos valores.



2) "Todo o valor é inseparável de uma actividade de selecção que, mesmo que ela só tenha sentido para nós, opera distinções entre diferentes formas do real segundo o seu grau de afinidade ou parentesco connosco. Só há valor onde a parcialidade se começa a introduzir no real. O valor é um partido assumido."
L. Lavelle


Comente o seguinte extracto do texto: "Só há valor onde a parcialidade se começa a introduzir no real. O valor é um partido assumido."



3) "Os valores não constituem um mundo de objectos que exista independentemente do mundo dos objectos reais, só se dão na realidade - natural e humana - como propriedades valiosas dos objectos desta realidade. Os valores requerem, por conseguinte - como condição necessária - a existência de certas propriedades que consideramos valiosas. Porém, as propriedades reais que sustentam o valor, e sem as quais este não se daria, só são valiosas potencialmente. Para se actualizarem e se converterem em propriedades valiosas efectivas, é indispensável que o objecto se encontre em relação com o homem social, com os seus interesses e necessidades."
A. Sanchez


Tendo o texto como referência, discuta a questão da objectividade e subjectividade valores.




4) "Nem o objectivismo nem o subjectivismo conseguem explicar satisfatoriamente a maneira de ser dos valores. Estes não se reduzem às vivências do sujeito que avalia, nem existem em si como um mundo de objectos independentes cujo valor se determina exclusivamente pelas suas propriedades naturais objectivas. Os valores existem, para um sujeito, não no sentido de um mero indivíduo, mas de ser social; exigem também um suporte material, sensível (seja objecto, uma acção, um costume ou uma instituição) sem qual não tem sentido.
É o Homem – como ser histórico e social e com a sua actividade prática – que cria os valores e os bens nos quais se encarnam, independentemente dos quais só existem como projectos ou objectos ideais. Os valores são, pois, criações humanas, e só existem como projectos ou objectos ideais. Os valores são, pois, criações humanas, e só existem e se realizam no Homem e pelo Homem.
As coisas não são criadas pelo Homem (os seres da natureza) só adquirem um valor entrando numa relação especial com ele, integrando – se no seu mundo como coisas humanas ou humanizadas. As suas propriedades naturais, objectivas, só se tornam valiosas quando servem para fins ou necessidades dos homens e quando adquirem, portanto, o modo de ser peculiar de um objecto natural humano.
Os valores então, possuem uma objectividade especial que se distingue da objectividade meramente natural ou física dos objectos que existem ou podem existir independentemente do Homem, como anterioridade à – ou à margem da – sociedade (…) É uma objectividade especial - humana, social – que não de pode reduzir ao acto psíquico de um sujeito individual nem tão pouco ás propriedades naturais de um objecto real. Trata-se de uma objectividade que transcende o limite de um indivíduo ou de um grupo social determinado, mas que não ultrapassada o âmbito do Homem como ser histórico – social (…) Existem, assim, objectivamente, isto é, com uma objectividade histórico social. Os valores, por conseguinte, existem unicamente num mundo social, isto é, pelo Homem e para o Homem."
Adolfo Sanchez, Ética.


Tendo o texto como referência discuta a objectividade/subjectividade dos valores.



(Retirado do site Netprof)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Natal e um Bom Ano de 2009 ...

para vocês e para as vossas familias!


e


Boas Férias ....


Beijinhos!